22 de dezembro de 2011

NadaCrônicas


Ou Ainda Da Vez Em Que Encontrei Jesus

-         Jesus?
-         Sim, sou eu.
-         Oi, meu nome é Flavio e vim do futuro.
-         Como assim?
-         Sei lá. Só sei que eu ia visitar o Papai Noel. Saí de casa, fui para um ponto de ônibus, então parei o primeiro ônibus que passou. Perguntei “Pólo Norte?” e o motorista respondeu “Méier”. Já que tudo fica para os mesmos lados da rosa-dos-ventos – Pólo Norte, Zona Norte -, entrei no ônibus. Só que acabei pegando no sono, e quando acordei estava aqui.
-         Então você tem uma missão, meu filho. É coisa divina.
-         Tenho não.
-         Claro que tem! Você é um enviado dos Céus.
-         Dizem que é o contrário, mas tudo bem. Vou te avisar uma parada. Você fica fazendo milagre por aí, como andar na água, fazer cego enxergar, essas coisas?
-         Sim, por quê?
-         Olha, para com isso!
-         Por quê?
-         Os romanos já estão de olho em você...Tem um povo que tem uma inveja danada de você, abre o olho, rapaz. Conselho de amigo.
-         Mas eles não podem me crucificar por eu ser um iluminado, digo, O Iluminado.
-         Podem, e vão. Vai rolar sangue.
-         Como assim?
-         Já te disseram que você faz muitas perguntas?
-         Como assim?
-         Você transformou água em vinho ontem e bebeu um bocado ou você é assim mesmo?
-         Desculpa, é que estou meio confuso. Peraê, eu realmente transformei água em vinho ontem, como você sabe disso?
-         É que já escutei umas histórias sobre você.
-         Hum?
-         Longa história. Daria um livro. Uma Bíblia, de tão longa que é essa história.
-         Mas você vem de quando no futuro?
-         Pouca coisa, dois ônibus, 20 quilômetros e 2000 e poucos anos.
-         Tudo isso?
-         É. Mas faz esse favor para mim, fica fazendo esses milagres na moita, escondido, atendendo a domicílio, porque essa vibe de fazer milagre a torto e a direito vai dar um problemão para você. Depois você fica pregado e não sabe porquê!
-         Mas caí nas graças do povo! É todo mundo é gente fina. Eles gritam meu nome.
-         Gente fina que vai preferir um ladrão a você quando você for julgado. Guarde bem esse nome: Barrabás.
-         Como assim?
-         Olha, é meio complicado pra eu explicar essas coisas todas agora...Mas segue meus conselhos, para evitar problemas futuros, para mim e para você.
-         Por que problemas? Como assim?
-         De onde venho, mais ou menos nessa época a gente comemora seu aniversário.
-         Que bom! Mas qual o problema disso?
-         É que uma data que teoricamente seria de reflexão virou um inferno! É computador vendido em 482x com uns juros exorbitantes, é Papai Noel descendo de helicóptero no Maracanã, ninguém respeita ninguém nas ruas, é briga no supermercado por castanha e panetone, é aquela música insuportável da Simone...É complicado, Jesus, muito complicado...
-         Vou ver o que posso fazer, mesmo sem saber o que é supermercado, helicóptero ou Simone.
-         Tudo bem. Nem eu sei te dizer o que é a Simone. Posso te fazer uma pergunta?
-         Claro!
-         O Caxias-Pilares passa aqui perto?

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