28 de fevereiro de 2012

Sobre Mulheres e Cores de Esmalte

Vê a diferença? Eu não.


Todos sabemos que a cabeça de uma mulher é algo muito, mas muito complexo. Pra uma criatura que diz “sim” querendo dizer “não”, “não” querendo dizer “sim” e “talvez” quando quer deixar um sujeito maluco de vez, nada parece ser complexo como nós, homens, vemos. Talvez essa dificuldade de entendermos a cabeça das mulheres seja uma das coisas mais fascinantes que elas tem, perdendo apenas para as partes erógenas do corpo feminino, que opiniões a parte, acho mais interessante. Mas só um pouquinho.
Em qualquer coisa essa complexidade do pensamento das mulheres se manifesta. Se você reparar bem, é exatamente isso que ocorre durante 24 horas por dia. A vida, o comportamento, ou até o piscar de olhos de uma mulher são tão complexos que dariam teses (longas e inacabadas, claro) sobre essa tal da complexidade das coisas femininas. Mas a complexidade do pensamento feminino chega em seu auge quando se discute sobre as cores de esmalte. É uma variedade de cores e tons que inveja qualquer carnavalesco de primeira linha do carnaval carioca. Enquanto um homem médio, por exemplo, costuma enxergar, no máximo, 16 cores, as mulheres costumam enxergar, no mínimo, 16 tonalidades diferentes de qualquer cor. É um tal de “branco claro folha de caderno de estudante preguiçoso e repetente três vezes do 9° ano de escola estadual”, de “vermelho tapete da cerimônia do Oscar após ser pisado pelo gato do Brad Pitt com aquele luxo de sapato italiano mas com aquela feia da Angelina Jolie a tiracolo”, de “roxo cor de uma direta de esquerda do Anderson Silva no meio da fuça de um adversário incauto” que deixa qualquer homem tonto e pedindo aos céus para que passe a enxergar apenas em preto-e-branco.
E abram seus olhos, meus amigos, quando uma mulher pedir uma opinião sobre que cor ela deve pintar as unhas. Se possível, para evitar que sua cabeça de homem prático sofra um colapso, finja um infarto, ou terá que enfrentar uma situação igual a essa:

-         Flavio, amanhã vou pintar as unhas, só que estou em dúvida, não sei de que cor eu pinto.
-         Mas você gosta de que cores?
-         Eu gosto de vermelho, roxo e rosa.
-         Vai de rosa.
-         Rosa o quê?
-         Como assim “rosa o quê”? Ué, “rosa rosa”!
-         Tá, rosa, mas qual tonalidade?
-         Sei lá, ré menor?
-         Hã?
-         É o tipo de tonalidade que conheço. E nem tenho certeza se essa é a expressão certa, não entendo muito de teoria musical.
-         Não, quero saber se é um rosa claro ou escuro.
-         Ah, tá... Sei lá, rosa claro, pode ser?
-         Pode. Mas aberto ou fechado?
-         Você vai fazer unha ou abrir porta?

Essa é a hora em que você finge um infarto, porque a partir daí, só piora. É um tal de rosa bebê, rosa chiclete, rosa arábico (nem sabia que os árabes, com aquelas barbas usavam rosa, vivendo e aprendendo), rosa flúor, rosa doce, rosa shock, rosa glamour, isso pra ficar só no básico de tons de rosa. Aí ela, tadinha, pacientemente (ou não), vai tentar te explicar a diferença entre cada tonalidade de rosa existente, e das duas, uma: ou você finge que está entendendo tudo, ou se esforça para entender e acaba com uma dor de cabeça por tentar entender – e por tentar enxergar – as diferenças entre um “amarelo sorriso de pobre desdentado feliz ao achar uma moeda de um real” e um “amarelo sorriso de pobre por ter achado duas moedas de cinqüenta centavos”.
Mulher é fogo. Deve ver uma festa das cores até em xerox preta-e-branca.

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