Rio, 10 de dezembro de 2015.
Soraya,
escrevo essa carta uns três ou quatro dias antes de, enfim, oficializar nosso noivado. Logo, confesso que
ainda não sei quando exatamente ou como te fiz esse convite rumo a viagem
de ter paciência de me aguentar o resto da vida ao seu lado, mas uma coisa é
certa, você é mulher da minha vida.
Como eu já
te disse, demorei para perceber que você era essa pessoa. Mesmo que eu sempre
tenha nutrido enorme apreço por sua amizade desde que nos conhecemos, nunca
imaginaria que hoje estaríamos pensando em casamento. Mas o tempo é sábio: ele dificilmente revela as coisas de imediato. É preciso, muitas vezes, ter paciência para
saber o que nos espera. E tive paciência em esperar "no que isso ia dar".
Mas só tive paciência porque sua dedicação, seu carinho, seu respeito por mim
foram de outro mundo. De nada adiantaria nós dois embarcarmos em um relacionamento
sem, necessariamente, querer estar nele. E confesso que durante certo tempo era
você que mostrava que "queria mais" do que eu, já que eu, até certa época, "só" queria. Só depois daquele episódio em que
eu te pedi um tempo e quase sumi da sua vida (sim, juro com todas as forças, a minha motivação para isso foi única e
exclusivamente uma "síndrome de vira-latas", pois eu achava que eu era "pouco" para você, veja só)
e que você, mesmo estando muito chateada comigo, me mostrou que não era dessa
forma, ou seja, de que você se sentia amada, protegida, envaidecida ao meu lado.
Que não tinha o porquê de eu achar que eu era "pouco" para você. Mesmo
me dando uma bronca homérica, você deu uma demonstração de maturidade que vi
poucas vezes na minha vida. Se antes desse desentendimento eu já te admirava
imensamente, depois dele eu vi que, se eu me acho, sem falsa modéstia, uma pessoa
extraordinária (mais "ordinária" do que "extra", mas não é
isso que estamos discutindo aqui), que eu também tinha o direito de me cercar
de pessoas extraordinárias, a começar por você.
Poucas vezes
na vida encontrei uma pessoa que me completasse tanto. Talvez um ou dois dos
meus melhores amigos cheguem nesse nível. Mas, mesmo sendo simpatizante da causa
LGBT, eles não fazem meu estilo pelo fato de eu ser heterossexual e porque também acho você
bem mais bonita (e cada vez mais bonita, diga-se de passagem!) e bem mais cheirosa do
que eles. Você é mais do que o amor da minha vida, você é minha amiga, conselheira,
professora (já aprendi várias coisas de Biologia com você que fico igual
papagaio repetindo por aí quando tenho oportunidade), até mesmo minha técnica em
eletrônica, contadora e gerente de banco particular. Não é pouca coisa. E
espero que eu seja uma pessoa que te completa tanto como você me completa. Até
porque, vivemos em tempos em que as pessoas estão mais preocupadas em fazer de
seus relacionamentos mais de um status nas redes sociais do que uma
oportunidade em crescer como pessoa ou de compartilhar (veja bem, compartilhar não apenas nas redes sociais, e sim pessoalmente!) coisas boas. De nada
adianta eu propagar aos quatro cantos que te amo se isso serve mais como uma
afirmação para os outros do que para mim e para a outra pessoa que me
interessa. E não preciso, nem me sinto por você pressionado, a fazer esse tipo
de sandice dia sim, o outro também. Mas essa carta aberta é uma "sandice
do bem", que só fiz porque achava extremamente necessário. Não posso
tratar meu amor por você como pingente, como muitos fazem, pois ele é joia
preciosa que fica guardada aqui no meu coração e que só mostro em ocasiões
especiais como essa.
E admito que
não sou um primor em expressar meus sentimentos com gestos ou atitudes, ou seja, sem palavras, e que
preciso muito delas para que as pessoas saibam o que penso, o que sinto. Mas minha timidez
me trava quando preciso expressar em palavras faladas essas coisas. Por isso
sempre recorri às palavras escritas, porque acho que me dou melhor com elas. E
hoje não está sendo diferente, pois provavelmente, no máximo, te perguntei se
você quer casar comigo, mesmo tendo pensado nos discursos mais mirabolantes e nas maneiras mais incríveis de te fazer esse pedido nos
últimos meses. Sim, MESES. A única coisa que eu estava esperando ao longo desse
ano todo era te pedir em casamento no dia do seu aniversário (ou bem próximo
dele). Mas até agora não sei que palavras usar para fazer isso. Então se você
achar o pedido meio tímido, espero que esta carta equilibre um pouco as coisas.
Mesmo sem
ser um homem religioso, agradeço todo dia ao levantar e todo dia antes de dormir
por ter o privilégio de você ter me escolhido para compartilhar essa nova
caminhada em nossas vidas. E, para terminar, acho muito clichê terminar essa carta com um "eu te amo". Queria terminar de forma triunfal, de maneira que você visse fogos de artifício ao terminá-la, de tão bem fechada que ela foi.
Mas quem gosta de ficar inventando toda hora é músico experimental, cientista maluco,
cineasta independente ou esses zagueiros dessa geração 7 a 1 que ficam mais preocupados em "postar foto no Insta" do que jogar a bola pro mato e fazer cara feia pra atacante abusado. Sou apenas um cara que quis expressar sua felicidade por ter certeza que encontrou a pessoa certa para compartilhar essa caminhada que se inicia agora, chamada casamento. Então, Soraya, minha querida, EU TE AMO. MUITO. MAIS DO QUE IMAGINO.
Um beijo (de
cinema, para terminar com chave de ouro!).

3 comentários:
Que a Felicidades de voces , vire Rotina e que sirva de inspiração pra todos "
"nois"
Muitas felicidades! Que Carta Aberta mais linda, Flávio...Se eu fiquei emocionada... imagina minha "Anjinha"!!! Sim, minha anjinha... Assi. Que me refiro à sua noiva há anos... e continue uivando muito bem dela... Sossô, continue cuidando bem dele! Que a amizade, o respwito e o AMOR sempre prevaleçam... assim os dias felizes serão incontáveis e os difíceis apenas passageiros! Deus os abençoe e guarde e que a Sagrada Família seja o maior exemplo dessa família que se inicia. Beijossssss
Gente do Céu, que coisa linda!
Parabéns pelas palavras que sei refletem o sentimento!
Muito amor e felicidade para vocês!
=*
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