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23 de fevereiro de 2015

Dissecando Superstições



A verdade é que não há "civilidade" quando falamos em superstições. Até mesmo em países que são tidos como avançados as pessoas seguem alguns hábitos para afastar a má sorte. Mas sempre me perguntei o porquê do ser humano ser tão apegado com esses costumes que, à primeira vista, não fazem lá muito sentido. Depois de anos lendo, observando e pensando a respeito disso (é porque fiquei alguns bons anos desempregado depois da faculdade, tinha tempo de sobra) concluí que por mais que sejamos racionais e evoluídos cientificamente, sempre acabamos acreditando em algo que transcende o nosso entendimento lógico das coisas - as religiões estão aí firmes e fortes para corroborar isso, por exemplo. Mesmo o "não crer em nada", ao menos religiosamente, acaba sendo algo que transcende explicações lógicas de tão dogmático que ele acaba sendo para algumas pessoas ("não acredito e pronto!").
E eu, que não tenho nada a ver com isso e insisto em ficar me perguntando o porquê das coisas, sempre tive minhas explicações para acreditar (ou não) em algumas das nossas mais conhecidas superstições. Abaixo segue algumas delas:

- Passar debaixo de uma escada dá azar: Claro que dá azar. Imagina cair algo lá de cima bem na sua cabeça (que pode ser uma chave de fenda ou até mesmo um piano). É má sorte ou não é? Eu, particularmente, não corro o risco.
- Sair de casa com o pé direito: Na verdade, as pessoas costumam sair de casa com a perna que elas tem mais força (MELHOR, falando de Brasil, o país do futebol, "com a perna que chuta!"). Para mim não dá certo, pois sou canhoto. Logo, saio de casa com o pé esquerdo. Sempre!
- Chinelo ou sapato virado pode matar sua mãe: Óbvio. Dessa forma aumentam as chances dela tropeçar na sua bagunça. Então cria vergonha na cara e guarde seus sapatos quando chegar em casa para que não aconteça nenhum acidente com sua querida progenitora.
- Bater na madeira para afastar pensamentos ruins: Vivemos tempos em que a madeira tem ficado rara, então se você encontrar algo feito de madeira já é sorte pra vida toda. Logo, a madeira é multiuso mas tem um pequeno porém: ela até pode servir para afastar maus pensamentos, para te aquecer no inverno como lenha e também como matéria-prima de móveis muito bonitos. Mas a melhor serventia dela ainda é SENDO ÁRVORE.
- Abrir guarda chuva dentro de casa dá azar: Faz sentido, pois abrindo um guarda-chuva em casa, corre-se o risco dele esbarrar em outros objetos. Então algumas coisas caem, outras são danificadas. Mais do que má sorte, é irresponsabilidade.
- Colocar uma vassoura de cabeça para baixo atrás da porta faz com que uma visita indesejada vá embora: Se essa visita indesejada acreditar que existe bruxas, isso é o suficiente para que ela inclusive nunca mais volte a te visitar.
- Quebrar espelho dá azar: Se dá azar para quem quebrou, imagina para quem vai catar os caquinhos...

E olha que não me considero um sujeito supersticioso. Mas tomar um pouco de cuidado para que o acaso não pregue suas peças nunca é demais...

14 de julho de 2014

Algumas (nem tão) breves impressões sobre a Copa do Mundo




1 – Pela enésima vez, o grito de “Não vai ter Copa” era simbólico. Um grito forte para tentar chamar a atenção para tantas coisas de errado que vem acontecendo no país não só durante esses anos de preparação para a Copa, mas também para coisas que vem sendo feitas de forma errada há mais de 500 anos. E mais, idiotice tremenda fazer essa distinção de que ou você era a favor ou era contra a Copa. Como evento mundial, é lindo ver gente de tudo que é canto do mundo na nossa cidade, no nosso país. É uma oportunidade única para muitas pessoas de conviver com pessoas de diferentes lugares, sem contar o espetáculo, isso é fato. Mas ter um posicionamento crítico sobre COMO esse espetáculo foi feito (quanto foi gasto? E o direito a manifestações? E os legados para o Brasil? Etc) e exigir explicações é o mínimo que um cidadão deve fazer.
2 – Parece que as chuteiras de cor preta foram abolidas do futebol. Elas devem os equivalentes às pochetes no mundo da moda do futebol, sei lá.
3 – Ainda não me responderam o que farão com os estádios que foram construídos em cidades sem grandes tradições futebolísticas. Já são sete anos esperando essa resposta (e contando!).
4 – Parece que ser técnico da seleção brasileira nas três últimas Copas é como ter uma Ferrari mas não saber dirigir. Pior: é ter uma Ferrari, não saber dirigir, sair dirigindo por aí e só parar de dirigir depois que beija um poste a 250 km\h.
5 – A Copa do Mundo foi uma Copa América vencida por um time europeu, e não por uma seleção que tem seus principais jogadores jogando na Europa, como acontece tradicionalmente.
6 – Para você ver como a globalização atinge até a composição das seleções: se tivéssemos uma máquina do tempo e voltássemos para a primeira metade da década de 1990, por exemplo, e disséssemos que a seleção da Suíça seria uma verdadeira salada étnica, com jogadores de várias origens, já diriam que estávamos loucos. Se voltássemos para a década de 1930 e falássemos para Hitler que a seleção alemã de 2014 teria jogadores de origem polonesa, um jogador negro e jogadores muçulmanos, ele teria uma morte súbita.
7 – Acredito que a Associação Mundial dos Jogadores de Futebol deve ter feito uma recomendação aos futebolistas, mais ou menos assim: “quando você sentir que está sendo filmado, cuspa. Mas cuspa bonito, puxando aquele catarro escondido no âmago do seu ser”.
8 – Alguém poderia prever que Argélia, Gana e Estados Unidos, juntos, levariam menos gols da Alemanha do que a seleção brasileira?
9 – Costa Rica jogando bola? Quem diria, não?
10 – Torcer fervorosamente para uma seleção só porque ela jogou com um uniforme parecido com o do seu time me faz lembrar daquela máxima de que todo dia saem de casa três otários. Você pode ser um deles e ser passado para trás em algum momento do seu dia ou "ter a sorte" de passar a perna em um deles. Mas teve seleção que foi tão genial, mas tão genial que conseguiu dar uma pernada em muitos, ou, como dizem por aí, numa “nação”.
11 – Nunca mais participo de bolão.  

EXTRAS:



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