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14 de julho de 2014

Algumas (nem tão) breves impressões sobre a Copa do Mundo




1 – Pela enésima vez, o grito de “Não vai ter Copa” era simbólico. Um grito forte para tentar chamar a atenção para tantas coisas de errado que vem acontecendo no país não só durante esses anos de preparação para a Copa, mas também para coisas que vem sendo feitas de forma errada há mais de 500 anos. E mais, idiotice tremenda fazer essa distinção de que ou você era a favor ou era contra a Copa. Como evento mundial, é lindo ver gente de tudo que é canto do mundo na nossa cidade, no nosso país. É uma oportunidade única para muitas pessoas de conviver com pessoas de diferentes lugares, sem contar o espetáculo, isso é fato. Mas ter um posicionamento crítico sobre COMO esse espetáculo foi feito (quanto foi gasto? E o direito a manifestações? E os legados para o Brasil? Etc) e exigir explicações é o mínimo que um cidadão deve fazer.
2 – Parece que as chuteiras de cor preta foram abolidas do futebol. Elas devem os equivalentes às pochetes no mundo da moda do futebol, sei lá.
3 – Ainda não me responderam o que farão com os estádios que foram construídos em cidades sem grandes tradições futebolísticas. Já são sete anos esperando essa resposta (e contando!).
4 – Parece que ser técnico da seleção brasileira nas três últimas Copas é como ter uma Ferrari mas não saber dirigir. Pior: é ter uma Ferrari, não saber dirigir, sair dirigindo por aí e só parar de dirigir depois que beija um poste a 250 km\h.
5 – A Copa do Mundo foi uma Copa América vencida por um time europeu, e não por uma seleção que tem seus principais jogadores jogando na Europa, como acontece tradicionalmente.
6 – Para você ver como a globalização atinge até a composição das seleções: se tivéssemos uma máquina do tempo e voltássemos para a primeira metade da década de 1990, por exemplo, e disséssemos que a seleção da Suíça seria uma verdadeira salada étnica, com jogadores de várias origens, já diriam que estávamos loucos. Se voltássemos para a década de 1930 e falássemos para Hitler que a seleção alemã de 2014 teria jogadores de origem polonesa, um jogador negro e jogadores muçulmanos, ele teria uma morte súbita.
7 – Acredito que a Associação Mundial dos Jogadores de Futebol deve ter feito uma recomendação aos futebolistas, mais ou menos assim: “quando você sentir que está sendo filmado, cuspa. Mas cuspa bonito, puxando aquele catarro escondido no âmago do seu ser”.
8 – Alguém poderia prever que Argélia, Gana e Estados Unidos, juntos, levariam menos gols da Alemanha do que a seleção brasileira?
9 – Costa Rica jogando bola? Quem diria, não?
10 – Torcer fervorosamente para uma seleção só porque ela jogou com um uniforme parecido com o do seu time me faz lembrar daquela máxima de que todo dia saem de casa três otários. Você pode ser um deles e ser passado para trás em algum momento do seu dia ou "ter a sorte" de passar a perna em um deles. Mas teve seleção que foi tão genial, mas tão genial que conseguiu dar uma pernada em muitos, ou, como dizem por aí, numa “nação”.
11 – Nunca mais participo de bolão.  

EXTRAS:



29 de março de 2012

Obrigado, Animal!



Vocês nem precisam me falar que ele não foi o maior exemplo de atleta, ou até mesmo de pessoa, mas quem não errou que atire a primeira pedra. Antes de tudo, Edmundo é humano como qualquer um de nós. Mas se ele foi humano algumas vezes, dando a cara a tapa a tantas coisas, em compensação, se serve de consolo para ele, ele é, e sempre será, o meu maior ídolo no esporte. Desde que ele parou de jogar, minhas quartas-feiras e domingos ficaram vazios, seja com ele jogando com a camisa cruzmaltina ou com qualquer outra. Edmundo foi um dos últimos românticos do futebol, pois cada frase ou atitude sua era digna de manchete. Ele, Romário, Renato Gaúcho, Túlio - alguns contemporâneos do Edmundo que considero também como os últimos românticos do futebol -, eram jogadores que fugiam do óbvio, em tudo. Eram gênios e polêmicos. Pode ser que vocês achem que um ou outro foi bem melhor do que ele, isso eu nem discuto. Mas que ele é meu herói, ele é. Isso sim é indiscutível.
E a saudade bate quando me lembro dele com a 10 do Vasco. Ed era imprevisível, imarcável, genial e genioso. Driblava como poucos, tinha classe, demonstrava raça e intimidava os adversários com a 10 e com a faixa de capitão. E de quebra, jogava com aquela cara de quem está ali fazendo uma coisa fácil, ridícula, como os grandes jogadores que tive privilégio de ver jogar, como o Zidane (parecia que Zizou jogava de smoking, tamanha a classe), o Riquelme ou o Ronaldinho Gaúcho – isso antes dele se transformar num ex-atleta em atividade -. Mas Edmundo é diferente, é dos meus, vascaíno. Apesar de ter uma mancha na carreira (quando jogou naquele timeco rubro-negro, com o não menos genial e genioso Baixinho), herói é herói. Ed é uma espécie de Macunaíma, um herói brasileiro, com seus defeitos, arroubos de ódio e vaidade, mas que na hora em que a coisa apertava, era só tocar a bola para ele que ele tratava de resolver o jogo. Eu não deixava de confiar no Edmundo até com ele batendo pênalti, veja só.
Alguns torcedores de outros times podem falar que eles tem mais títulos, que o time tem uma torcida maior, essas coisas de quem gosta de contar vantagem. Mas uma das coisas que eu mais tive o privilégio de ver na minha vida foi o Vasco ganhar seus principais títulos. Eu vi! Ninguém me contou que o Vasco nos anos 1990 fez barba, cabelo e bigode – bigode de português, claro. E o que mais fico feliz é que Edmundo foi responsável – direta ou indiretamente – por boa parte desses títulos. Edmundo está para mim assim como Pelé está para o torcedor santista dos anos 1960. Mas que me perdoe o Rei, mas Edmundo, ao menos para mim e para boa parte da torcida cruzmaltina, foi o maior. Então, tudo o que consigo dizer pra ele é: "Obrigado, Ed. Muito obrigado!"

28 de novembro de 2011

Amor E Futebol - Parte Três

 Quase um Pelé das cagadas amorosas.

Amor e Futebol (VIII), ou ainda Contratação de Peso

Larga de ser boba, garota
que essa oferta é boa:
Compra meu passe
que eu prometo ser seu craque. 

Rio, 26 de Novembro de 2011.

15 de novembro de 2011

Amor E Futebol - Parte Dois



Amor e Futebol (V), ou ainda Zagueiro

Não preciso de escanteio pra te agarrar,
pra te puxar pelo cintura e pelo cabelo
Nem adianta me dar cartão vermelho
(a menos que ele tenha seu telefone)

Feito Mauro Galvão quero te matar no peito,
te tratar com carinho e com todo respeito
Mas se eu tiver que te mostrar meu lado Odvan, meu bem...
Você se apaixona pelo meu estilo zagueiro-zagueiro!

Amor e Futebol (VI), ou ainda E O Recurso?

E ela deu de bico,jogou pra galera
Não antes de algumas jogadas violentas,
mas fui eu que sofri a expulsão.
Sobrou pro meu coração,
frágil feito um juvenil,
Machucado, estendido no chão.
(o amor é juiz cego e senil).

Mas mesmo depois de tanto tempo, ainda me assusto:
Como pude me apaixonar por um zagueiro sem recurso?

Amor e Futebol (VII), ou ainda Melhor do que Eto'o

Implacável feito Romário
Avassalador feito Edmundo
E ainda duvidas
que o Amor é o melhor atacante do mundo?

14 de novembro de 2011

Amor E Futebol - Parte Um




Amor e Futebol (I)

Do que adianta ter uma torcida maior do que a do Fla-Flu
se o zagueiro só faz cagada?
Meu time é tão forte quanto a seleção do Peru,
e pior do que ficar no Zero a Zero
é ficar no 5 a 1

Amor e Futebol (II), ou ainda Síndrome de Botafogo

Do que adianta jogar bonito,
jogar limpo,
se a gente joga como nunca
e perde como sempre?

Amor e Futebol (III), ou ainda O Reserva ou Talvez Ode a Obina

Pode até ser bom
Mas só quebra galho.
Quem nasceu para carregador de piano,
rala por anos e anos,
mas nunca será o astro.
O técnico sempre diz que ele merece uma chance,
mas a gente sabe
- aqui entre nós, coisas do amor e do futebol -
que nunca terá.
Ele pode até ser bom,
Mas só quebra galho.
Reserva:
Chore no banco que é lugar quente.

Amor e Futebol (IV), ou ainda A Ereção

Não, agora não.
Juro que não estou impedido.
Se eu estou, é por questão de centímetros.

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