23 de fevereiro de 2012

E Agora, Folião?



E agora, folião? A festa acabou, a fantasia deve tá jogada num canto qualquer, tudo volta ao normal. Acabou o conto de fadas e voltamos a cruel realidade. Mas só cabe a nós mudar essa cruel realidade ou fechar os olhos e deixá-la como está. E agora, colombina? E agora, pierrô? Vamos fazer o quê? Não há filas tão grandes para se comprar livros como as que vimos para a compra de abadás de trios elétricos. Em falar em filas, quantos agonizam nos hospitais públicos, esperando sua vez para serem atendidos (isso se conseguirem ser atendidos)? E quantos outros esperam um pedaço de pão, uma oportunidade de emprego ou mesmo um pouquinho de carinho? Esses sim são incontáveis.
Eu queria que nos indignássemos com o descaso da nossa educação como nós ficamos pra morrer (e matar) quando nossa escola de samba favorita recebe aquela broxante nota “9-vírgula-qualquer-coisa”. Perder o carnaval é o fim do mundo, mas se importar com a educação é besteira, essa, coitada, não serve pra nada. Que se transformem as escolas desse Brasil varonil em Escolas de Samba e tá tudo resolvido. Quem sabe, assim, elas não recebam quantias astronômicas como nossas Escolas de Samba recebem? Mesmo o estado mais miserável tem dinheiro de sobra pra patrocinar o carnaval mais luxuoso dessas bandas, mas não tem um tostão para gastar com seu povo. O carnaval deve ser realmente muito importante. Importante para a farra do dinheiro público, para a propaganda enganosa que certos políticos fazem, importante para nos manter na linha. Pão e circo, sim senhor! O resto que se dane.
Não sou contra o carnaval. Mesmo eu sendo “ruim da cabeça e doente do pé”, gosto do espírito da festa, é bonito ver o povo feliz e tudo mais. Sem contar que fico uma semana sem trabalhar, mas isso não vem ao caso. Mas temos que abrir nossos olhos. Fazer alguma coisa positiva no intervalo entre um carnaval e outro, para mudar essas coisas ruins que teimam em complicar nossas vidas, essas coisas que a gente tanto reclama, mas que não fazemos nada para mudar. Nunca é demais ter o mínimo de sobriedade, mesmo que a maioria de nós ainda esteja de ressaca pelos festejos momescos. Nunca é demais, nem tarde demais, já que o ano no Brasil só começa depois do carnaval. Então que a gente aproveite que o ano mal começou e façamos alguma coisa além de esperar pelo próximo carnaval.

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