9 de setembro de 2013

Ser Homem: Uma Eterna Quinta Série



Não importa se você é um homem barbado, se é membro proeminente de sua comunidade, se tem emprego estável, que escreveu um livro, teve um filho e plantou uma árvore. Não importa. Não importa porque, apesar de você ter construído isso tudo, você não passou (pior, nunca passará) dos dez anos, meu amigo. Não só você, mas qualquer homem, por mais sério que ele seja, não passou dos dez anos. Todo homem é um eterno garoto. E as provas estão justamente no nosso comportamento, tanto individual quanto coletivo. E sem aquela ladainha de que as mulheres amadurecem antes dos homens, não é bem disso que estou falando. Estou falando que você pode ser um homem sério, maduro, tendo um comportamento que a idade adulta exige, mas que em boa parte de nossa vida adulta temos comportamentos que levam mesmo os mais maduros a voltar no tempo e se comportar como um garoto de dez anos.
Ainda lembro dos meus brinquedos aos dez anos: pipa, bola, bola de gude, álbuns de figurinhas, videogame... A minha lista é interminável, e aposto que a sua também é. E o mais curioso é que todo o dinheiro que conseguíamos aos dez anos era para comprar nossos brinquedos. Ou os comprávamos imediatamente, ou fazíamos um enorme esforço econômico para economizar e comprar algo que custava mais caro. E veja só como nossa vida é engraçada: nós crescemos, as nossas responsabilidades aumentaram, mas ainda gastamos boa parte do dinheirinho que ganhamos com nossos brinquedos. Claro que os brinquedos, na maioria absoluta das vezes, não são os mesmos da nossa tenra juventude (ou você acha que ainda brinco de bola de gude cinco vezes por semana?), mas eles estão aí, meu amigo. Olhe ao seu redor e veja quais são seus novos brinquedos. Eu, por exemplo, gasto um bom dinheiro comprando livros e economizo dinheiro feito um moleque “mão-de-vaca” para comprar algo para meu baixo que me exija um pouco mais de disposição monetária. Esses são meus novos brinquedos. Mas você sabe que, tal qual alguns de nós, que preferiam comprar pipas, ou outros que gastavam o dinheiro todo no fliperama e outros que torravam seu dinheiro em revistas de mulher pelada, o gosto pelos brinquedos permanece diversificado na fase adulta: uns gastam em videogames, outros com o seu time de coração, outros com mulheres (mesmo sem saber direito exatamente o que é uma mulher, igualzinho aquele moleque de dez anos que gastava a mesada em revista de mulher pelada)... A lista é tão extensa e diversificada quanto a lista de brinquedos que tínhamos/almejávamos ter aos dez anos.
Há também, além do comportamento individual, que acarreta, consequentemente, um ciúme desmedido pelos seus brinquedos, o comportamento social do homem adulto, que em muito se assemelha ao de garotos de sexto ano (que a propósito foram objetos da minha pesquisa, já que dou aulas de História para crianças dessa faixa etária. Então sem querer, ao prestar um pouco mias de atenção no comportamento deles, acabei escrevendo esse texto). Todo homem tem a necessidade de pertencer a um grupo, por menor ou mais desprezado que esse grupo seja. Mais do que isso, a convivência com outros homens nos é fundamental, apesar do fato de que um homem é infinitamente mais feio e menos cheiroso do que qualquer mulher (imagine então um grupo de homens o quão feio e fedorento possa ser, ainda mais para um homem adulto). Essa convivência muito lembra a convivência com nossos amigos dos tempos de infância principalmente em dois quesitos: primeiro, pelo fino trato que temos com nossos amigos (é “viadinho”, pra lá, é “filho-de-uma-égua” pra lá – para ficar nos apelidos mais leves – e a gente se entende numa boa) e também no que tange às brincadeiras, digo, às atividades. Se hoje temos, por exemplo, uma banda ou um grupo de pelada de basquete às quintas-feiras em que chamamos uns aos outros de “vagabundo”, “bichona” ou mesmo de “demente”, é porque na nossa inocente infância tínhamos o despudor de nos apelidar de maneira ainda mais carinhosa, que nem cabe ficar falando por aqui ou os politicamente corretos logo pensarão que é agressão gratuita, o que é mentira. Até porque não há nada mais carinhoso do que um pequeno bullying entre amigos.
Uma vez escutei uma frase que dizia que nós, homens, nos desenvolvíamos até os dois anos e depois disso apenas crescíamos. Para um observador mais incauto, essa frase soa como uma ofensa; para uma mulher, pode ser uma maneira refinada de dizer que homem não presta; Para alguns de nós, não significa nada, porque as únicas piadas que esses entendem é a de papagaios e as de português, e mesmo assim tem que ter um palavrão na piada pra ter graça; para mim é apenas uma constatação de que, por mais rabugento e velho que eu fique, sei que carregarei dentro de minha alma um quê de criança, e manter o espírito jovem, muitas vezes, é o melhor remédio para as agruras da vida. Se a masculinidade é um eterno sexto ano... Então acho que todos nós repetimos o sexto ano com gosto, meus caros!

2 comentários:

Tainá Almeida disse...

Ai ai... a idade masculina. Ainda rio dos teus causos ;)
bêj

Flavio Braga disse...

Você quis dizer a ETERNA pré-adolescente idade masculina, né, Tainá? hahaha Beijo!

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