18 de julho de 2014

Viva Mandela!



 
"O que importa na vida não é o simples fato de ter vivido. A diferença que fizemos na vida dos outros que vai determinar a importância da vida que conduzimos."

Desde pequeno, sempre tive a ligeira sensação da importância de Nelson Mandela. Aquele senhor, que a minha mãe até hoje fala que lembra bastante meu avô paterno e que meus tios sempre falaram que era “um negão foda”, sempre marcou presença em minha vida. À medida que fui crescendo, fui pesquisando a respeito da sua importância. Porque, afinal, esse homem era tão elogiado, idolatrado, endeusado (mesmo contra sua vontade)? E comecei a entender o motivo. E mesmo que superficialmente eu e muitos outros sabíamos que aquele senhor de aparência tão amigável era um grande guerreiro.
E isso até o dia em que ganhei de minhas amigas Vitória e Lucia uma biografia sobre Nelson Mandela. Admito que gostei do presente à primeira vista. Estava terminando de ler a autobiografia do Malcolm X e terminar de lê-la e começar a ler sobre o Mandela parecia uma boa ideia. Dois grandes homens que, mesmo sendo completamente diferentes em personalidade e tudo o mais, tinham em comum a luta por igualdade, para que os seus fossem tratados como gente, afinal. Porém, confesso que dando uma lida ligeira no livro que eu acabara de ganhar, confesso que achei que o livro estava mais para autoajuda do que para registro histórico. Mas mesmo assim o li.
E li. Reli. Re-reli. Tanto que o tenho hoje como livro de cabeceira. Além disso, considero que foi um dos presentes mais especiais que ganhei em toda a minha vida. Aquela imagem de “senhor amigável” que eu tinha de Madiba se transformou. Passou a ser mais, muito mais. Passou a ser a presença de um herói, que, obviamente, possuía seus defeitos e que pode ter errado aqui ou acolá, mas que a virtude de uma pessoa boa pesa muito mais do que seus deslizes. Mais do que um herói, passei a considerar Madiba um “avô africano distante” que eu falava como se ele fosse, de fato, da minha família.
E como o considerava um “ente querido”, chorei sua morte feito uma criança. Sei que sou uma manteiga derretida, mas confesso que chorei tanto quanto chorei a morte de pessoas próximas. Mas o que me conformava era que enfim ele teria seu descanso merecido, pois dedicar uma vida inteira por uma causa é tarefa árdua e nem sempre termina como queremos. Mas creio que o verdadeiro fracasso para heróis como Madiba é morrer sem ter lutado. E me prometi (mais importante, prometi a Madiba) que dedicaria minha vida a lutar por mais justiça e igualdade, ou ao menos tentaria, pois sei que não tenho a força e determinação que Madiba tinha. Se isso serve de legado, acho que Madiba está orgulhoso, onde quer que esteja.
Quando alguém morre, a única coisa que permanece é seu legado. E ao acordar todo santo dia, me pergunto que legado estou deixando para o mundo. Acredito que Madiba se fazia a mesma pergunta. E eis seu legado, Madiba: Enquanto houver esperança, luta e gente que não fecha os olhos para as mazelas do mundo, você e tantos outros que morreram em prol disso serão honrados.
Viva Madiba!

Um comentário:

Anônimo disse...

Mesmo que teu legado não seja, de todo, admirável, com certeza teus textos são um excelente exemplo do ótimo escritor que és.

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