22 de junho de 2015

"Cadê Seu Bigode?": Um Teste Para Minha Criatividade




Há, aproximadamente, 15 dias atrás, em uma dessas lacunas inesperadas que a rotina dá, me vi em casa, sem muita coisa para fazer. Até que me olhei no espelho e me perguntei "por quê não?" e decidi raspar meu bigode. Não que eu nunca o tenha raspado, mas meu bigode é companhia tão fiel desde a minha pré-adolescência (isso se a pré-adolescência começa aos oito anos, porque me lembro de estar com bigode na campanha do tetra do Brasil em 94) que a sua ausência é sentida, tanto por mim quanto pelas outras pessoas. Tanto é uma ausência considerável que durante os dois ou três dias depois de eu tê-lo raspado as pessoas me faziam uma pergunta: "Flavio, cadê o seu bigode?", como se ele pudesse sair por aí, andando. Ué, gente, raspei, que ideia. É a ÚNICA resposta possível para a pergunta. Mas depois da terceira pessoa que me perguntou isso (e elas me perguntavam EXATAMENTE isso), decidi brincar comigo mesmo: e se eu inventasse uma desculpa diferente para cada vez que me perguntassem "onde" estava meu bigode? Seria um desafio e tanto para a minha criatividade. Pois bem: acho que minha criatividade venceu. Abaixo seguem algumas das respostas que dei:

"Era falso!"
"Bigode? Nunca usei bigode! Não sei de onde você tirou ideia tão cabeluda!"
"Meus deus, roubaram meu bigode! Chamem o Batman!"
"Fui assaltado. O cara falou 'ou o bigode ou a vida'. Dessa vez decidi ficar vivo. Dessa vez!"
"Aquilo? Efeito especial de Hollywood, aquele lance de projetor, não sei como se chama, é 'alguma coisa-grama', eletrocardiograma, quilograma, telegrama, grama de pasto, esses troços que eles usam nos Star Wars da vida. Vocês não entendem nada de efeitos especiais mesmo, hein!"
"Tirou férias. No seu lugar, toda vez que sentirem falta dele, vou colocar um dread no lugar dele com a ajuda do nariz e da boca para matar um pouco a saudade."
"Raspei ele não por vaidade, mas por contenção de gastos. Gasto em torno de r$ 0,03 toda vez que o molho sem necessidade. Aí faz as contas: bebo água, escovo dente, é sopa que fica nele..."
"Fui tomar banho usando o bigode, mas a água fez ele diminuir para o tamanho do bigodinho do Hitler. Imagina o que a galera ia dizer ao ver um negão usando um bigode daqueles, né..."
"Quando vi que tava na moda, raspei. Agora quero uma pochete para completar o pacote anti-hype..."
"Ele fez 18 e foi morar sozinho."
"Ele foi embora por incompatibilidade de personalidades. Mas estamos bem, continuamos amigos."
"Apostei que ficaria mais bonito sem ele. Perdi e tô pagando a aposta desde já."

Entre outras.
Isso sem contar a polêmica, "com ou sem bigode?". Alguns falaram (principalmente os mais jovens), que eu estava "no grau". Imagino que seja coisa boa. Outros falaram que fiquei estranho. Eu mesmo tenho implicância comigo sem bigode, pois pareço uma versão 2.0 do meu pai. Mais moderna, com menos dinheiro e menos filhos (ele me ganha de 3 x 0, fora o baile). Mas pelo menos serviu para mudar o visual um pouco e para colocar a criatividade em dia, tanto que a partir disso, surgiu esse texto. Então, se você gostou desse texto, agradeça a esse exercício sagaz para uma mente criativa. Caso contrário, processe a Gillette por ter provocado um texto tão ruim.

Um comentário:

Susan Barbosa disse...

HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHA!
PERGUNTA IDIOTA, RESPOSTA CRETINA!

Amei!

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