2 de outubro de 2011

Consumo Bem Classe "C"...

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Juro para vocês que tem horas que quase me convenço que sou um cara realmente implicante por conta de algumas opiniões. Mas quando estou quase me convencendo que estou exagerando, vejo que na verdade estou cheio de razão. E uma das coisas que acho mais inconcebível é a pessoa se endividar para comprar algo “luxuoso”. “Luxuoso” entre aspas porque daqui a pouquinho o tempo vai dizer que aquele artigo que hoje é o supra-sumo da evolução da tecnologia será o lixo de amanhã. Desculpa o pessoal que tem espírito de novo rico, que acha que tem que comprar o que “está na moda”, mas penso que é burrice comprar algo só porque “todo mundo tem”.
Mas pior que isso é você ser “pra lá da classe C” e inventar de dar uma de Eike Batista. Ora, se já acho ruim o fato de você ter dinheiro e querer comprar tudo que é tido como “o mais moderno”, imagina o quanto eu acho pavoroso o fato do sujeito que se endivida para ter o carro mais legal da rua. Não tem comida em casa, mas tem o carro com o som mais potente da vizinhança; os filhos não tem um livro, mas em compensação eles tem um celular que liga, recebe chamada, toca música, fatia a carne do churrasco de domingo e ainda diz que te ama. É algo que realmente não entendo. E nem venham os apaziguadores me falar que cada um tem uma necessidade, que cada um gasta seu dinheiro do jeito que bem entende, entre outras ladainhas. Esse comportamento consumista é ridículo. As pessoas se deixam levar por discursos vazios, por necessidades fúteis para justificar suas compras. É um tal de imperativos (“tenha”, “compre”, “adquira”) que fico tonto.
Enquanto saciamos, na verdade, a vontade (quase sexual) dos economistas, que atribuem ao alto volume do consumo ao aumento da renda média, nos enchemos de coisas que daqui a pouquíssimo tempo não saberemos o porque que compramos, até porque, ao contrário da renda média, que os economistas dizem que está aumentando, a nossa inteligência já anda na sombra do fundo do poço faz tempo. Mais do que isso, além de não usar mais o que compramos, por diversos fatores como “estar obsoleto”, “fora de moda” ou simplesmente por estar quebrado (já que os bens de consumo hoje são praticamente descartáveis), estaremos pagando um preço bem alto por esse impulso em comprar o que não é necessário.
Mas penso que o problema é que muitos de nós não sabemos dar o devido valor ao nosso suor em ganhar o “vil metal”, como um primo meu se refere ao dinheiro. Pouco vejo as pessoas juntando dinheiro para comprar algo que está um pouco fora do alcance financeiro. Agora a satisfação tem que ser imediata. Compra-se o produto e depois vê se dá pra pagar. Quando se tem a oportunidade de adquirir um cartão com um limite mais alto, já corremos para as compras de artigos caros e que não podemos pagar. Penso que nosso maior problema é não saber a hora certa de comprar as coisas, já que hoje valorizamos o imediato, o prazer instantâneo em tudo, até mesmo na satisfação em consumir algo, mesmo que os efeitos no bolso sejam os mais assustadores. E por aí vamos nos perdendo nesse vício consumista. Vamos nos perdendo num caminho sem volta, mas tirando uma onda com o vizinho, que vai morrer de inveja por não ter o que temos. Isso sim parece ser melhor do que ter o que compramos.

Um comentário:

Suuu disse...

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