7 de outubro de 2011

É Ming, Brother!


 Quebrei uns dez vasos iguais a esse ontem. É, foi uma quarta-feira monótona.

Nunca pensei em ser podre de rico, mas teve um dia que parei e tentei imaginar a minha vida se eu fosse rico. Mas não pouco rico, e sim muito rico, podre de rico. Porque sendo podre de rico posso fazer coisas altamente fúteis sem me preocupar se terei dinheiro para pagar algumas loucuras. A partir daí dei asas a minha imaginação: o que fazer para gastar essa fortuna? Ter uma coleção de carros esporte? Não, muito chavão, todo mundo faz isso. Jatinho particular? Hoje qualquer cantor de sertanejo universitário tem um jatinho, nem pensar. 48 esposas? Não, de jeito nenhum, estou falando de gastar dinheiro sem me preocupar em ficar pobre, não em gastar todo meu dinheiro a ponto de ficar pobre. Então como vou gastar meu dinheiro de maneira original? Já sei – pensei eu numa breve epifanía -, vou gastar meu dinheiro em louças, em toda louça de porcelana que eu puder comprar, uma sala só com coisas de porcelana. Não, eu não serei o maior colecionador de porcelana do mundo (até porque esse título ia soar meio gay). As louças teriam um papel importante na minha vida, elas serviriam para diminuir meu stress em ser podre de rico. De que maneira? Sigam meu raciocínio.
Todo homem rico que se preze é estressado. Mesmo tendo dinheiro suficiente para comprar uma ilha no Caribe, homem rico sempre está estressado, por mais que não tenha motivos para isso (escutei o Eike Batista gritar um “Amém!”?). Então, quebrar louças seria meu hobby anti-stress. Simples. Uma sala cheia de porcelana para quebrar, como se não tivesse amanhã.
Contudo, devo confessar algo de foro íntimo. A verdade oculta por trás disso é que sempre tive esse pensamento destrutivo, apesar de sempre controlá-lo, por não ser socialmente aceito e porque eu não tenho condições econômicas de sair quebrando minhas coisas a torto e a direito. Sou professor, gente, isso já diz o suficiente acerca da minha condição econômica. Eu odeio novela, mas adoro as cenas em que os ricos, possuídos pela ira, quebram uma sala cheia de porcelanas da dinastia Ming, sem pensar no preço de nada. Eu peço até para meus amigos gravarem esse tipo de cena para mim, é lindo. Sinto que se eu tivesse uma sala só com louças caras para quebrar, eu seria um homem ainda mais calmo.
E mais, eu penso o seguinte: se você vai ser alguma coisa na sua vida, você tem que prezar em ser original. Do que adianta ser rico e gastar tudo em plástica, em carros, em noitadas com as mulheres mais bonitas do mundo? Todo mundo faz isso, então a melhor coisa é tentar ser original, mesmo que seja na futilidade. Até imagino a capa da Caras comigo, numa foto quebrando um Ming e com a manchete “Flavio Braga, o destruidor de louças...E de corações!”. Essa excentricidade é até uma forma de ser reconhecido mais facilmente, sempre iam lembrar de mim como “aquele neguinho metido que quebra uns vasos”. A onda hoje não é ser celebridade por coisas idiotas? E tem coisa mais idiota que ser reconhecido por quebrar uns Ming para tirar onda com essa “gente diferenciada”?
Vai saber, sei lá, devo ter alguma coisa mal resolvida com os pratos de porcelana. Mas que seria divertido...

Um comentário:

Suuu disse...

E eu iria investir tudo em PLÁSTICO BOLHA!

:X

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