18 de setembro de 2013

Vestir-se Para Despir-se (e para despir os outros, claro!)





“Vendo que a nudez gratuita não tinha mais graça, o ser humano inventou a roupa.” Claro que essa frase não justifica o fato do ser humano ter chegado à conclusão de que era necessário inventar uma maneira de proteger sua pele tão frágil de um mundo tão hostil. Mas a frase, se a gente analisar o ponto de vista sexual, até que faz sentido. Se eu não soubesse de outros porquês da utilização de roupa por parte do ser humano, como a proteção da pele contra intempéries da natureza, demonstrar status, distinguir e/ou identificar os mais diferentes grupos existentes em cada sociedade – vamos lá, se tiver alguém que entenda de moda ou da História das Roupas, me ajude, posso estar falando besteira! -, até que eu me conformaria com essa resposta, sei não. Até porque a gente tem essa pose de animal racional e tudo o mais, mas quando o lado instintivo aflora, não há razão que segure a besta que mora no âmago de cada um de nós.
E a invenção da roupa pode ser considerada, curiosamente, uma “preservação” do nosso lado animal, pois uma das coisas que move o irracional é o desejo. E nada mais racional da parte do homem em preservar o desejo ao inventar a roupa, pois se a nudez gratuita é broxante, nada melhor do que transformar a nudez em algo transgressor. E em matéria de quebrar regras, sabemos que somos os melhores na natureza. O strip-tease e os fetiches por uniformes não me deixam mentir.

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... E Assim Nasceram Os Primeiros Costureiros

- E aquela bundinha ali?
-Já vi, vejo todo dia, nem tem mais graça.
- E aqueles peitos ali, ó? Firmes, bonitos de ver.
- Mas enjoa. Até o que é bonito enjoa, cara. Tá errado isso. Tem que existir uma maneira de tornar essas bundinhas, esses peitinhos, mais atraentes.
- Mas como?
- Sei lá, tem que ter algo misterioso, que mexa com a gente, a tal ponto que a gente imagine como as pessoas podem ser por trás desse mistério todo...  Com isso, a gente fica ainda mais maluco por bundinhas e peitinhos alheios. Entendeu?
- Que tal algo que encubra essas partes do corpo humano que mexem mais com o desejo das pessoas?
- É uma boa.
- Não é?
- É. E isso vai ter outra serventia, muito importante.
- Qual? De distinguir os líderes dos grupos dos demais? De proteger a pele?
- Não. Será a chance de homens como a gente, com a genitália bem menor do que a dos outros, termos alguma chance com as moças. Pois se escondermos essa miséria, teremos mais chance de dar uma enrolada nas moças. Elas vão cair na nossa conversa e na hora do “vamos-ver”, não vão ter mais pra onde correr. Já que está ali, na vontade, não tem tu, vai tu mesmo.
- Verdade...
- É uma questão de perpetuar nosso pequeno legado, se é que você me entende.
- É mais do que isso, meu caro, é privilegiar o mais inteligente. Nosso sex appeal ta aqui, ó, na cabeça!

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Talvez, não há nada que mais contribua para o sexo do que a roupa. A gente acorda todo santo dia e escolhe a roupa mais legalzinha pra sair pro trabalho, pra se divertir, ou até mesmo pra comprar pão, com uma única intenção: tirarmos essa roupa. Melhor, a intenção é tirarmos nossa roupa e a de outro alguém. O ato de se vestir é, na verdade,  a intenção de se despir. O resto da história todo mundo sabe. O ser humano é bicho engraçado mesmo...

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