22 de abril de 2014

Terapia... Cozinhando




Meu mousse de limão. Tem coragem? Digo, servido?


Não sei se contei pra vocês, mas no último ano me transformei em um grande cozinheiro. Está certo, acho que há uma enorme probabilidade de eu ter ficado um pouco grande (de largura) do que ter virado de fato um grande cozinheiro, mas as minhas aventuras pela cozinha agora não se limitam a ir na geladeira e conferir se tem alguma coisa para comer a cada cinco minutos. Agora, sei que não morro de fome se precisar fazer minha comida.
E isso veio a calhar com o período conturbado que eu vinha passando em minha vida: eu, enquanto professor, enfrentava duas greves ao mesmo tempo (sou professor das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro), houve o término conturbadíssimo de um namoro e, durante esse tempo, me vi sozinho em casa por mais horas do que o de costume. Logo, precisava ocupar a cabeça com alguma atividade para não sucumbir à tristeza. E foi aí que fui apresentado ao maravilhoso mundo da “culinária de sobrevivência dos homens solteiros”, ou algo parecido. Sabendo que ,ou eu aprendia a fazer algo na cozinha, ou eu morreria de fome (já que, por estar em greve, não estava indo às escolas, que são os lugares em que almoço e janto na maior parte da minha semana), me vi forçado a aprender o básico do básico do básico.
Com o tempo, o fato de ir à cozinha para fazer meus “grudes” se revelou maior do que o fato única e exclusivamente saciar a fome,  ela foi fundamental para minha sobrevivência mental. Sentia que minha cabeça (e meu espírito, minha auto estima, minha dignidade, enfim) estava em frangalhos. E graças a minha aventura na cozinha, consegui, a partir daí, uma válvula de escape, que me deu, de forma humilde mas fundamental, força e sabedoria para seguir adiante, porque a hora de cozinhar não era “só” o ato de cozinhar, mas sim uma hora em que eu construía algo (para ser digerido logo em seguida) e, mais do que isso, era uma hora de reflexão, tal qual é tomar um banho demorado ou lavar louças.
Depois do meu primeiro arroz bem feito, foi só festa. E depois do meu primeiro mousse de limão, então, quase decretei feriado nacional (fora que homem que cozinha ganha pontos com a mulherada, mas essa só a patroa pode confirmar). E hoje posso falar que ganhei um mais novo título: “o melhor cozinheiro daqui de casa”. Levando em consideração que, mesmo sendo o único homem daqui de casa, eu ainda corro risco de ficar em segundo lugar, ganhar esse prêmio é quase um Prêmio Nobel. 

Um comentário:

Unknown disse...

Eu lembro tanto dessa torta de limão... rsrs

Comer o que você prepara é alimentar corpo e mente. :*

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