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14 de dezembro de 2015

Carta Aberta para Soraya, II



Rio, 10 de dezembro de 2015.

Soraya, escrevo essa carta uns três ou quatro dias antes de, enfim, oficializar nosso noivado. Logo, confesso que ainda não sei quando exatamente ou como te fiz esse convite rumo a viagem de ter paciência de me aguentar o resto da vida ao seu lado, mas uma coisa é certa, você é mulher da minha vida.
Como eu já te disse, demorei para perceber que você era essa pessoa. Mesmo que eu sempre tenha nutrido enorme apreço por sua amizade desde que nos conhecemos, nunca imaginaria que hoje estaríamos pensando em casamento. Mas o tempo é sábio: ele dificilmente revela as coisas de imediato. É preciso, muitas vezes, ter paciência para saber o que nos espera. E tive paciência em esperar "no que isso ia dar". Mas só tive paciência porque sua dedicação, seu carinho, seu respeito por mim foram de outro mundo. De nada adiantaria nós dois embarcarmos em um relacionamento sem, necessariamente, querer estar nele. E confesso que durante certo tempo era você que mostrava que "queria mais" do que eu, já que eu, até certa época, "só" queria. Só depois daquele episódio em que eu te pedi um tempo e quase sumi da sua vida (sim, juro com todas as forças, a minha motivação para isso foi única e exclusivamente uma "síndrome de vira-latas", pois eu achava que eu era "pouco" para você, veja só) e que você, mesmo estando muito chateada comigo, me mostrou que não era dessa forma, ou seja, de que você se sentia amada, protegida, envaidecida ao meu lado. Que não tinha o porquê de eu achar que eu era "pouco" para você. Mesmo me dando uma bronca homérica, você deu uma demonstração de maturidade que vi poucas vezes na minha vida. Se antes desse desentendimento eu já te admirava imensamente, depois dele eu vi que, se eu me acho, sem falsa modéstia, uma pessoa extraordinária (mais "ordinária" do que "extra", mas não é isso que estamos discutindo aqui), que eu também tinha o direito de me cercar de pessoas extraordinárias, a começar por você.
Poucas vezes na vida encontrei uma pessoa que me completasse tanto. Talvez um ou dois dos meus melhores amigos cheguem nesse nível. Mas, mesmo sendo simpatizante da causa LGBT, eles não fazem meu estilo pelo fato de eu ser heterossexual e porque também acho você bem mais bonita (e cada vez mais bonita, diga-se de passagem!) e bem mais cheirosa do que eles. Você é mais do que o amor da minha vida, você é minha amiga, conselheira, professora (já aprendi várias coisas de Biologia com você que fico igual papagaio repetindo por aí quando tenho oportunidade), até mesmo minha técnica em eletrônica, contadora e gerente de banco particular. Não é pouca coisa. E espero que eu seja uma pessoa que te completa tanto como você me completa. Até porque, vivemos em tempos em que as pessoas estão mais preocupadas em fazer de seus relacionamentos mais de um status nas redes sociais do que uma oportunidade em crescer como pessoa ou de compartilhar (veja bem, compartilhar não apenas nas redes sociais, e sim pessoalmente!) coisas boas. De nada adianta eu propagar aos quatro cantos que te amo se isso serve mais como uma afirmação para os outros do que para mim e para a outra pessoa que me interessa. E não preciso, nem me sinto por você pressionado, a fazer esse tipo de sandice dia sim, o outro também. Mas essa carta aberta é uma "sandice do bem", que só fiz porque achava extremamente necessário. Não posso tratar meu amor por você como pingente, como muitos fazem, pois ele é joia preciosa que fica guardada aqui no meu coração e que só mostro em ocasiões especiais como essa.
E admito que não sou um primor em expressar meus sentimentos com gestos ou atitudes, ou seja, sem palavras, e que preciso muito delas para que as pessoas saibam o que penso, o que sinto. Mas minha timidez me trava quando preciso expressar em palavras faladas essas coisas. Por isso sempre recorri às palavras escritas, porque acho que me dou melhor com elas. E hoje não está sendo diferente, pois provavelmente, no máximo, te perguntei se você quer casar comigo, mesmo tendo pensado nos discursos mais mirabolantes e nas maneiras mais incríveis de te fazer esse pedido nos últimos meses. Sim, MESES. A única coisa que eu estava esperando ao longo desse ano todo era te pedir em casamento no dia do seu aniversário (ou bem próximo dele). Mas até agora não sei que palavras usar para fazer isso. Então se você achar o pedido meio tímido, espero que esta carta equilibre um pouco as coisas.
Mesmo sem ser um homem religioso, agradeço todo dia ao levantar e todo dia antes de dormir por ter o privilégio de você ter me escolhido para compartilhar essa nova caminhada em nossas vidas. E, para terminar, acho muito clichê terminar essa carta com um "eu te amo". Queria terminar de forma triunfal, de maneira que você visse fogos de artifício ao terminá-la, de tão bem fechada que ela foi. Mas quem gosta de ficar inventando toda hora é músico experimental, cientista maluco, cineasta independente ou esses zagueiros dessa geração 7 a 1 que ficam mais preocupados em "postar foto no Insta" do que jogar a bola pro mato e fazer cara feia pra atacante abusado. Sou apenas um cara que quis expressar sua felicidade por ter certeza que encontrou a pessoa certa para compartilhar essa caminhada que se inicia agora, chamada casamento. Então, Soraya, minha querida, EU TE AMO. MUITO. MAIS DO QUE IMAGINO.
Um beijo (de cinema, para terminar com chave de ouro!).

12 de junho de 2015

Ela Não Foi A Primeira (Mas...)



Ok, eu sei, ela não foi a primeira.
Não que tenham muitas que a precederam, mas para esse povo ansioso em fazer estardalhaço por qualquer coisa, isso pode ser uma informação bombástica. Logo, a polêmica estaria lançada a partir daí.
ESTARIA.
Estaria porque ela pode não ter sido a primeira a me causar suspiros apaixonados, ou a primeira que me beijou ou que me iniciou na arte do sexo. Ela é a primeira que me faz me sentir um homem. Melhor, homem não, no máximo um garoto de doze anos com barba e emprego público. Mas um garoto de doze anos com barba e emprego público bem melhor do que eu era há um tempo atrás, e é isso que importa.
O porquê dessa sensação, em teoria, é simples, mas na prática, é como achar agulha no palheiro. Mas é por isso que ela é especial: pela primeira vez na minha vida sinto que estou numa relação amorosa madura. Sem guerras de ego, sem ciúme doentio,  sem brigas por nada, sem chantagens emocionais, sem tantas coisas ruins que minam as relações amorosas. Claro, não é perfeito. Talvez seja mais culpa minha do que dela o fato de não ser perfeito, pois sou distraído, lento, até mesmo egoísta sem perceber. Mas é ela quem não deixa a peteca cair.
Quantas vezes eu quis só dar um "até logo!" e sumir da vida dela, por achar que eu não estava à altura da mulher que ela é (e algumas "bad trips" de vez em quando tentam ainda me convencer disso). Não só pensei, já fiz! Fora outras trapalhadas que, se ela contabilizasse, ela teria um verdadeiro "Dossiê Flavio", dividido em fascículos. Mas ela, diferentes de muitas outras, nunca se aproveitou dos meus erros para me chantagear. Ela prefere que eu aprenda. E é dessa forma que acho que de um tempo para cá sou um homem melhor.
O amor, meus amigos, vocês sabem, é danado de volátil. Hoje nos amamos, amanhã pode ser quer não. Mas meu amanhã de uns tempos para cá parece que só tem uma certeza: ter ela ao meu lado. Se eu estiver enganado, lembrarei desse período em que estivemos juntos com um carinho imensurável. Mas algo me diz que dessa vez, estou certo, ela será minha última. E se é para valer, que nosso amor dure para sempre. 
Soraya, Te Amo!

21 de janeiro de 2014

Amor: Um Belo Piadista!

Vocês sabiam que sou meio primo de um príncipe africano? Ou do Eddie Murphy, sei lá. O que colar contigo é a verdade. Juro!

Esqueça por um momento as coisas boas do amor, e as ruins também, e foque nas coisas engraçadas do estar apaixonado. Penso que essa é a maior graça (com trocadilho) do amor. Os micos que o amor platônico nos fez passar, como fingir que a rua da casa da amada é caminho pra algum lugar que você vai, como sua casa ou seu trabalho (“ah, é que eu passo aqui na Lagoa para ir pra casa porque eu conheço um atalho tridimensional que me faz chegar em Marechal Hermes em 10 minutos!”), ou ligar fingindo que tem um assunto importante para falar com ela, só para escutar aquela voz suave (“não, Fulana, eu só to te ligando para te dizer que a taxa SELIC aumentou, fica ligada, hein! Te amo, digo, beijo!”). Não adianta, meu caro, com o amor não se brinca, é ele que brinca com você. Na hora você não se dá conta do papelão pelo qual está passando, mas depois que você volta ao estado normal de homem comum, só tem a lamentar.
E a arte da conquista? Você tentando fingir que é o homem da vida dela? Que gosta de tudo que ela faz, do que ela fala (“Nossa, então você é militante do PSDB? Que interessante!”), e até tem que engolir o time que ela torce, mesmo que ele seja (que cilada!) o Flamengo. Mas tudo vale na arte do amor, até umas mentirinhas bobas (“pois é, gata, é que eu cheguei atrasado porque passei por um incêndio num orfanato e salvei seis crianças órfãs... Contratempos acontecem, né? Mudando de assunto, já te disse que sou meio-irmão do Gianechini?”) que, acredite, ela não acredita. Mas dependendo da situação, ela acha até bonitinho.
Mas nada supera quando você começa um relacionamento. As coisas assustadoras que você descobre de sua amada (“não sabia que você tinha quatro irmãos mais velhos que lutam jiu-jitsu! Que legal, família de esportistas...”), mas que você segura as pontas, até porque, não é todo dia que uma mulher que carrega ouro nos brincos e não nos dentes te dá um mole desse. Agora aguenta as ameaças do pai da moça, policial militar linha dura, ou os irmãos menores que não deixam você dar uma buzinada nos seios cálidos de sua cara metade, isso sem falar na sogra megera. E você fica a ponto de jogar tudo para o alto por medo, mas quando vê o sorriso da sua amada, deixa para amanhã jogar...Jogar o quê para o alto? Nada não, benzinho!
Amar é lindo. Os amores passam, mas os micos ficam. E por mais que você fale que não vai mais se atrever a se envolver com alguém, você pensa melhor e sente que se você for visto se abraçando na rua, definitivamente vai perder o pouquinho de respeito que você tem. Então, acaba indo à caça. E claro, repetindo todos os micos. Já está acostumado, né?

12 de janeiro de 2014

Apaixonar-se (Para Um Tímido)



Apaixonar-se é isso,
um pular de abismo
ao tropeçar em palavras.

Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2014.

17 de janeiro de 2013

Regalo de Asunción


Se o amor não olha o bolso
Porque me chamas de grosso
Sempre que compro seus presentes
na loja de r$ 1,99?

Rio de Janeiro, 17 de Janeiro de 2012.


22 de setembro de 2012

Por Todas Elas



Eu, sofredor?
Minha cara:
que eu morra de amor
por todas as mulheres
que existem em ti!

Rio, 22 de Setembro de 2012.

27 de abril de 2012

Dar Aula


 Penso que essa é uma das raras vezes que não preciso de muito tempo para reparar em alguma coisa, e olha que sou muito ruim em reparar alguns detalhes, ainda mais detalhes que envolvam outras pessoas. Minha primeira namorada, por exemplo, tinha pênis, e só reparei depois de três meses de namoro. Mas isso é coisa do passado (um passado dolorido por sinal).
Mas onde diabos quero chegar? Simples, meus caros, no mais simples papo de professor. Eu comecei a dar aulas em uma escola municipal aqui no Rio de Janeiro há um pouco menos que um mês. Estou dando aulas para turmas de 6° e 7° anos, com a idade dos alunos variando entre 11 a 13, talvez 14 anos. Crianças. Melhor (ou pior), pré-adolescentes e pequenos adolescentes. E sempre escutei dos meus amigos que dão aula nas escolas municipais que é quase uma guerra diária tentar dar aula. E é, não minto. O melhor da minha “Pedagogia Maquiavélica” (pedagogia que tem como base o clássico “O Príncipe”, de Maquiavel, um dos meus livros prediletos, por sinal) eu venho gastando com essa molecada. Tem horas que pergunto para eles onde posso tirar a pilha deles para eu ter um pouco de sossego, de tão inquietos que eles são. Ser professor de turmas nessa faixa etária exige, acima de tudo, paciência e preparo físico.
Porém, se vocês me perguntarem se estou gostando da experiência, responderei que sim, pois, primeiramente, é uma experiência inédita pra mim dar aula para essa faixa etária, eu tenho mais ou menos cinco anos de magistério e só havia trabalhado até então com alunos acima de 16 anos. Então tenho achado um tanto proveitoso, pelo menos até agora. Mas o mais interessante é que, ao mesmo tempo em que não raro me corta o coração por ver que muitas dessas crianças não recebem uma educação muito boa dos seus pais, correndo o sério risco de perpetuar hábitos e atitudes ruins que seus pais lhes passam, por outro lado eu acho comovente a dedicação de muitos deles nos estudos, mesmo que ao mesmo tempo, aprontem a ponto de deixar meus lindos “dreadlocks” em pé. Dedicação esta que atribuo principalmente à questão de eles serem carentes de atenção, principalmente no ambiente familiar, e a tarefa de preencher esse vazio sobra, na maioria absoluta das vezes, para nós, professores. Então boa parte deles se empenha nas atividades escolares para que o professor dê uma atenção a eles, mesmo que eles saibam que o professor vai falar que o trabalho está precisando de algumas correções, por exemplo.
A graça de ser professor é essa: o salário é baixo, a cada dia que passa a educação parece perder – injustamente, lógico – a sua importância tanto para o governo quanto para a sociedade em geral, que não dá o devido valor à educação e aos seus profissionais e outros tantos problemas que atravessamos na área educacional, mas, enquanto existir um aluno precisando de ajuda, seja ele criança ou adulto, existirá o sentido em ser professor. Durmo sempre com a consciência tranquila de, ao menos, tentar fazer a minha parte, que pode não parecer muito pra mim (nunca me pareceu na verdade, mas sou um megalomaníaco) ou pra outras tantas pessoas. Mas para esses alunos, cada palavra carregada de atenção e carinho que os professores lhes oferecem é muito. Por isso que, mesmo ficando até doente por conta da minha profissão, ainda amo, e muito, o magistério. Por isso que sempre dou razão a quem fala que dar aula, acima de tudo, é um ato de amor. Um amor que te trata como mulher de malandro quase diariamente, mas... É amor.

16 de fevereiro de 2012

O Fim, Sem Fim


"Ah, Flavio, para de ser apocalíptico! Isso não é o fim do mundo!" Mas eu não sou apocalíptico! Só achei a imagem legal...

O amor verdadeiro é avassalador. Não mede esforços, releva defeitos, com ele gasta-se dinheiro... Mas tudo que se quer é o bem da pessoa amada, mesmo que o tiro saia pela culatra inúmeras vezes. Mas no amor verdadeiro busca-se fazer esses agrados não porque eles trarão recompensas, mas porque ficamos mais propensos a escutar o coração e oferecer sempre o que temos de melhor para a pessoa amada. Mas quando, por algum motivo, esse amor finda, temporária ou definitivamente, só nos resta o aperto no peito, além de esporádicos arroubos de raiva e choro. Tanto foi dado para esse amor e só nos resta isso... É mais uma das doces ironias da vida. Acredito que essa dor seja a dor da morte em vida, creio que não há dor pior no mundo do que sentir seu coração apertado. Contudo, se essa história foi abreviada, que assim seja, passou. Que o coração em frangalhos se recomponha e se encha de esperança para amar outra vez, mesmo sabendo que amor feito o anterior possa não existir (talvez melhor, talvez pior... Só o tempo dirá). Mas só vivendo que se descobre.
Tem horas que os menores poemas de amor perdido dizem tudo o que precisa ser dito, mesmo que a gente, por hora, não queira tocar muito no assunto. Ele morreu. Só. Nem que seja por uns dias ou que seja um fardo levado para o resto dos nossos dias. Mas esse é o “morto” mais vivo que conheço. Eternizado no canto de um coração apaixonado.

O Fim, Sem Fim

Se meu amor por ti aqui jaz?
Jamais.
Comigo querendo ou não, ele é eterno.
Inocente. Incoerente.
Mas sempre belo.

Rio, 16 de Fevereiro de 2012.

12 de fevereiro de 2012

Amor e Ódio

ou ainda Breve Catarse

Toda vez que lembro
que você existe
acaba com meu dia
sua vadia!

Rio, 12 de Fevereiro de 2012.

25 de janeiro de 2012

NadaCrônicas


Ou Ainda O Galanteador Comunista

-    Olá, companheira.
-    Companheira de quem? De você, barbudo?
-    Claro, por quê não?
-    Mas nem te conheço.
-    Meu nome é Lenin Stalin Mao Marx Engels Guevara-Castro, mas pode me chamar de Flavio.
-    Você é muito estranho. Você é um daqueles fãs malucos do Los Hermanos, não é?
-    Não, meus hermanos são outros. Tem o Chavez, o Morales, Correa, Noriega...
-    Quem?
-    Não importa. Estou aqui por uma nobre causa.
-    E qual seria esta nobre causa?
-    Quero que você divida seu latifúndio comigo. É rapidinho, dois minutos, juro.
-    O quê? Sabia que tenho namorado, e ele é faixa preta de caratê?
-    Poxa, companheira, fala para ele que ele tem que dividir o que ele tem sobrando com os menos afortunados. Abaixo ao monopólio! Viva a ditadura do proletariado!
-    Não o nome dele não é Monopólio, é Valdemar. Um loiro alto, olhos azuis, lindo.
-    Yankee!
-    Não, é Valdemar.
-    Neoliberal estadunidense, sabia.
-    Não, ele é de Cascadura, mesmo.
-    Bem, isso não importa. Meu papo é com você. Quero te mostrar a força do meu operariado, se é que você me entende.
-    Sabia que você é muito insistente?
-    Mas temos que ser insistentes para alcançar a revolução, ou o par de peitos mais próximo, tanto faz.
-    Você é um grosso, sabia?
-    E você é uma pobre vítima do capitalismo selvagem estadunidense, que pode até calar as nossas vozes, mas ele sabe que nunca vai se livrar da revolução, pois a revolução está escondida em cada gueto, em cada lugar onde a injustiça impera, esperando uma chance para se levantar contra o sistema neoliberal...
-    Nossa.
-    O que?
-    Suas palavras. Foram profundas. Eu acho que vou te dar uma chance.
-    Eu sei, aprendi quando passei um tempo em Havana.
-    Com Fidel?
-    Não, com companheira Maria Del Barrio, uma moça da vida. Muito profunda. Ou pelo menos algumas partes do corpo dela eram profundas, que seja. Endurecer, sim, perder a ternura, jamais!
-    Posso te fazer uma pergunta?
-    Uhum.
-    Se você é comunista, então significa que você vai me dividir com seus tais companheiros?
-    Claro que não. Só se o Partido Comunista da União Soviética me pedir.
-    Mas a URSS não existe mais.
-    Por isso mesmo, não quero correr perigo.

18 de janeiro de 2012

Pedido de Namoro Arriscado



Até seria um amante das antigas
e pediria sua mão à sua família
Mas corro o sério risco
de deixarem só sua mão comigo...

Rio, 18 de Janeiro de 2012.

16 de janeiro de 2012

Morde e Assopra

Sim, eu mordo e assopro
mas faço o que posso
para ter seu coração
(pena que não dá certo).

Rio, 14 de Janeiro de 2011.

25 de dezembro de 2011

My Sweet Baduizm



Seu quê de Erykah Badu
deixa meu coração em polvorosa!
Me é tão desconsertante
que fico até sem rima.

Rio, 25 de Dezembro de 2011.

22 de dezembro de 2011

Eu e Meu Salário - O Poema

Foi-se cedo
Não me pediu café
Deu seu recado de pé mesmo,
só para dar mais drama ao enredo.
 "Não fico mais um segundo!"
(disse ele)
Mas o que será de meu mundo
sem a ajuda dele?
E ele, com seu ar filosofal
E profético
(mas beirando ao patético)
tratou de diminuir tamanho mal:
“Vou mas já volto
E de repente até me empolgo
E fico mais duas horas da próxima vez.”
Sentiste, leitor, o mal que ele me fez?
E todo dia 5
Sinto-me como um magrelo sem cinto:
Sempre com as calças na mão.

Sarjeta, 6 de Março de 2010.

17 de dezembro de 2011

Ciclo Vicioso (Afro-Disíaca)



Uma poesia feita na insônia da madrugada. Não reparem na métrica!

Me perco no escuro de sua pele
e na escuridão de seu quarto
Quero de vez em ti me perder
pra ver se pelo tato eu te acho
Ao te desejar voo tão alto,
muito alto
mesmo sabendo que sempre no chão me esborracho
Mas se tiver que cair,
que seja em teu colo
para que eu me perca
e que comece de novo esse troço!

Rio, 17 de dezembro de 2011.

12 de dezembro de 2011

Pretinha


Pensamentos perdidos (e baratos) sobre as moças de pele negra.

Sorte sua – e minha, por quê não? – que não sou religioso, pois se tu tens a cor do pecado, eu já estaria com a alma perdida há tempos por adorar o tom de sua pele. Confesso que não crer na salvação ou na danação eterna tem lá suas vantagens. Sua cor chocolate é mais que luxúria. É gula, é vontade de morder, de lamber, de se lambuzar e pedir mais. Quem vai querer o paraíso eterno se o encontra em vida?

--//--

São belos os contrastes entre preto e branco. As teclas do piano, a camisa do Botafogo, os filmes do Chaplin, o Yin-Yang... Mas ainda prefiro você de lingerie branca.

--//--

Muitos associam o negro, ou a escuridão, a coisas ruins. Como pode ser ruim, se tu és tão divina com essa pele negra? Não entendo, e sinceramente, nem quero entender. Eu quero é me perder em seu corpo. Só isso. Viajar na escuridão de sua tez macia, digna da alta realeza das grandes civilizações do continente negro. Viajar e me perder em ti, como um viajante corajoso e desavisado procurando por um tesouro lendário, e viajar em sua pele até encontrar esse tesouro. Tudo o que quero é ter esse tesouro só para mim. Sim, sou romântico ciumento, algum problema?

--//--

Realmente, não tenho pra onde fugir. Se já me seria o suficiente belo o simples fato de ver o sol ser refletido por sua pele negra, ainda tenho a opção de ser hipnotizado pelo seu lindo sorriso. E quem é o louco de fugir disso? Eu não sou.

28 de novembro de 2011

Amor E Futebol - Parte Três

 Quase um Pelé das cagadas amorosas.

Amor e Futebol (VIII), ou ainda Contratação de Peso

Larga de ser boba, garota
que essa oferta é boa:
Compra meu passe
que eu prometo ser seu craque. 

Rio, 26 de Novembro de 2011.

25 de novembro de 2011

Pensei em Te Fazer Um Poema


Pensei em te fazer um poema
Falando do meu amor
Eu só tenho um problema
Minhas rimas são um terror

Desculpe esses versos tão vagabundos
Mas é com todo amor do mundo
O que eu tenho pra te dizer

Pensei em te fazer um poema
Falando do meu amor
Eu só tenho um problema
Minhas rimas são um terror

Se o que vale é a intenção
Eu te abri meu coração
E o que tenho pra te dizer

Pensei em te fazer um poema
Falando do meu amor
Eu só tenho um problema
Minhas rimas são um terror

Queria te dar um presente caro
Talvez diamantes, iates ou carrros
Mas como não passo de um pobretão
O que tenho de mais valioso é
meu coração.

Rio, 15 de novembro de 2011.

Eu e Você - E Depois...


Vem cá
Quero te fazer carinho
E me dá mais cinco minutinhos
Que já fico pronto pra outra.
Achas rápido?
É que estou louco pra te deixar mais louca.

Rio, 17 de Março de 2010.

24 de novembro de 2011

Eu e Você - O Durante



Você geme, treme
Enlouquece
Enquanto te mordo de leve.
Você me diz para continuar
(e quem te disse que vou parar?)
Quero te possuir devagar
para ver se o agora se eterniza.
Sua pele lisa
E sensualmente suada
Fervendo de tão excitada
É uma dádiva, minha cara!
Amo-te de todas as formas e posições
Com direito a replay
Ora rápido, ora devagar
Como eu bem sei
Que você gosta.

Eu sinto seu cheiro
Puxo seu cabelo
Até te viro do avesso
Eu te aperto,
Puxo-te para mais perto
E te mostro o quanto te quero
Ofegante
(você me dá um trabalho...)
Excitante
(e você me chama de safado...)
Aqui é onde os minutos são horas
E o lá fora pouco nos importa
Eu só quero saber daqui de dentro,
dentro de você.

E tudo que eu sempre quis, enfim consegui:
Perdi-me completamente em ti.

Rio, 17 de Março de 2010.
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