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2 de agosto de 2014

Um Sonho...

"E eu que sempre quis um lugar, gramado e limpo, assim verde como o mar/ Cercas brancas, uma seringueira com balança/ Disbicando pipa, cercado de criança..." (Racionais Mc's, "Vida Loka - Parte II")


Um dia, quando nascer cabelo no meu peito ou quando o Brasil levar a educação a sério (o que vier primeiro!), pretendo ser um pai de família. Mas me imagino um pai de família meio que das antigas, daqueles que constrói uma família com uma patroa gente boa que, sempre muito educada, sempre vai me deixar dar a palavra final em casa (“sim, senhora!”), numa casa simples, mas aconchegante no Engenho de Dentro, com um quintalzinho pra receber os amigos nos fins de semana pra jogar conversa fora e para a molecada brincar, e assim eu viver e envelhecer tranquilo (e enfim morrer, pois é o que nos é mais certo na vida), ciente que fui uma pessoa boa e que, embora tenha errado algumas vezes, errou por excesso de tentativas, não pela falta delas. Mas aí olho o quanto os imóveis no grande Meier estão caras, que criar filho não é brincadeira e que alguns amigos não tem dado nem um “oi” pelo Facebook (nessa ordem) e desanimo um pouco. Mas o sonho de "só" ser feliz é o que ilumina meus caminhos. Aí volto a sonhar com isso tudo e volto a abrir um sorriso.

9 de fevereiro de 2012

12 aos 25


Sinto meu espírito vivo, novo, esperançoso. Imaturo, mas igualmente forte. Sonhador, feliz e levemente irresponsável. São as pipas que me fascinam empinadas colorindo o céu nas férias escolares. São os desenhos animados antigos que me fazem rir mesmo eu sabendo todas as falas. São as piadas idiotas entre amigos, que às vezes surgem em horas que o mundo não está muito pra brincadeira (coisa de moleque abusado). Sou impacientemente feliz tendo a vontade de que as coisas sempre se resolvam. Sou comicamente triste com minha timidez aparente. Mesmo o amor não correspondido e sua dor aguda (que, diga-se de passagem, nunca serão mais avassaladores quanto a primeira paixão platônica) são bons, pois me dão a certeza que estou vivo, e mais do que isso, eu vejo assim que o tempo e o mundo cão não conseguiram tirar minha sensibilidade.
Não é fácil crescer, minha gente. Mais difícil ainda é crescer e amadurecer sem perder o brilho nos olhos de um moleque tímido e sonhador de 12 anos, mesmo que a inexperiência infantil me atrapalhe aqui ou ali. Mas que seja, sobrevivi, mesmo com cicatrizes à mostra, que mostram que sempre lutei pelo que acredito. Assim foi, e assim sempre será. Apesar das mágoas que tenho por quem se aproveitou da minha nobreza jovial, eis-me aqui, inteiro, pronto pra outra batalha épica no meio da rua contra o valentão da área (sou dos tempos que a gente ainda caía na porrada, hoje resolvem dando tiro. Coisa de adulto).
Meus caros, amo ser um moleque de 12, mesmo que a carteira de identidade e a barba por fazer denunciem meus vinte e poucos anos. Eu sempre lhes disse que sou um jovem senhor, já que prezo por valores e atitudes de gente mais madura quando a ocasião pede, e não renego isso. Mas (sem falta modéstia!) agradeço a mim mesmo por conseguir deixar vivo o espírito infantil em algum canto do meu coração. É ele que me faz inquieto e sempre disposto a levantar bandeiras por boas causas. Mal sabem vocês, mas por trás desse aparente tranquilidade, na verdade, sou o capeta em forma de guri!
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