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6 de janeiro de 2015

Brincar de Fazer Samba

Ruim da cabeça
Doente do pé
Teimoso das ideias
não podia dar certo
Mas insisti
em brincar de fazer samba

Empunhei o violão
igual guerreiro e vi
que não poderia
tá muito certo
Mas insisti
em brincar de fazer samba

E eu que quis
fazer algo sincopado
me perdi no compasso
nessa ousada tentativa que fiz
 
Vou voltar
pro tal do "power chord"
por lá tenho mais sorte
do que meter no samba o nariz

Vou colocar
meu violão na sacola
Talvez numa outra hora
lhes mostre que meu samba melhorou

No samba
não precisa ter doutorado
mas que entendas do riscado
É o conselho
de quem no samba dançou

Rio de Janeiro, 6 de Janeiro de 2015.

12 de janeiro de 2014

Apaixonar-se (Para Um Tímido)



Apaixonar-se é isso,
um pular de abismo
ao tropeçar em palavras.

Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2014.

8 de outubro de 2013

Poeta, Esse Fingidor!







"Poeta, seu mentiroso!
Pra quê todo esse alvoroço
em torno de algo que não sentes?"
Pergunta o incauto,
que muito por alto
leu uns poeminhas e pensa
que pode sair julgando a obra alheia.

Meu caro,
não raro
o poeta só é bom fingidor
porque antes de fazer rimas
ele sofreu de amor.
Traz consigo a experiência
de amores perdidos
de adeus a entes queridos
de cofres vazios
de azar no destino
e tudo o mais que você possa imaginar.

Então, sabichão
o poeta não é um fingidor:
o coitado é um pobre sofredor
que transforma sua dor
em poemas tristes.

Rio, 6 de Outubro de 2013.

25 de setembro de 2013

Violão



Ah
vou chorar em seu braço minhas lágrimas
Quem sabe amanhã tudo se resolve
e a minha vida ganha um novo norte?
Quando as explicações não me bastam
e as palavras engasgam
Só me resta você
como confidente

Violão
Alivia meu coração,
por favor
Se não trazes o amor, perdido
ou da vida o sentido
Que ao menos com a sua música
afasta de mim tanta angústia

Caro amigo
o seu timbre, sem melindre
dissipa minhas lágrimas
e me alegra em meio às mágoas

E enquanto o mundo não me enlouquece
Minha sanidade a ti agradece
Pela amizade verdadeira
e espera que eu não te guarde
 - Não antes da saideira!

Rio, 25 de Setembro de 2013.

3 de maio de 2013

(Anti) Ode a uma (longuíssima) Viagem de Ônibus


Me peguei
pensando na vida
calculando as dívidas
E ainda não cheguei

Enumerei
um monte de carneirinhos
contei até o infinito
Mas ainda não cheguei

Imaginei
fantasias sexuais
até utopias sociais
Só que ainda não cheguei

Será que um dia vou chegar?
Só falta esse ônibus quebrar!
E nem vou tão longe assim...
Transporte público tenha dó de mim!

Rio, 03 e Maio de 2013.

17 de janeiro de 2013

Regalo de Asunción


Se o amor não olha o bolso
Porque me chamas de grosso
Sempre que compro seus presentes
na loja de r$ 1,99?

Rio de Janeiro, 17 de Janeiro de 2012.


22 de setembro de 2012

Por Todas Elas



Eu, sofredor?
Minha cara:
que eu morra de amor
por todas as mulheres
que existem em ti!

Rio, 22 de Setembro de 2012.

16 de fevereiro de 2012

O Fim, Sem Fim


"Ah, Flavio, para de ser apocalíptico! Isso não é o fim do mundo!" Mas eu não sou apocalíptico! Só achei a imagem legal...

O amor verdadeiro é avassalador. Não mede esforços, releva defeitos, com ele gasta-se dinheiro... Mas tudo que se quer é o bem da pessoa amada, mesmo que o tiro saia pela culatra inúmeras vezes. Mas no amor verdadeiro busca-se fazer esses agrados não porque eles trarão recompensas, mas porque ficamos mais propensos a escutar o coração e oferecer sempre o que temos de melhor para a pessoa amada. Mas quando, por algum motivo, esse amor finda, temporária ou definitivamente, só nos resta o aperto no peito, além de esporádicos arroubos de raiva e choro. Tanto foi dado para esse amor e só nos resta isso... É mais uma das doces ironias da vida. Acredito que essa dor seja a dor da morte em vida, creio que não há dor pior no mundo do que sentir seu coração apertado. Contudo, se essa história foi abreviada, que assim seja, passou. Que o coração em frangalhos se recomponha e se encha de esperança para amar outra vez, mesmo sabendo que amor feito o anterior possa não existir (talvez melhor, talvez pior... Só o tempo dirá). Mas só vivendo que se descobre.
Tem horas que os menores poemas de amor perdido dizem tudo o que precisa ser dito, mesmo que a gente, por hora, não queira tocar muito no assunto. Ele morreu. Só. Nem que seja por uns dias ou que seja um fardo levado para o resto dos nossos dias. Mas esse é o “morto” mais vivo que conheço. Eternizado no canto de um coração apaixonado.

O Fim, Sem Fim

Se meu amor por ti aqui jaz?
Jamais.
Comigo querendo ou não, ele é eterno.
Inocente. Incoerente.
Mas sempre belo.

Rio, 16 de Fevereiro de 2012.

12 de fevereiro de 2012

Amor e Ódio

ou ainda Breve Catarse

Toda vez que lembro
que você existe
acaba com meu dia
sua vadia!

Rio, 12 de Fevereiro de 2012.

4 de fevereiro de 2012

Antes de Dormir

Isso sim é dormir feito uma estátua. Rá!

As dívidas e dúvidas
(que são muitas)
me cobram.

Meus maiores medos
(que medem três dedos)
me sufocam.

Não durmo.
Descrente no futuro
e perdido no pior dos meus mundos.

Eu,no meu quarto, sozinho,
em meio a desatinos.
Angustiado
pensando em amores perdidos.
Insone e acuado
a ponto de quase chorar.

Mas eis que o sono,
feito cavaleiro errante
que vem de um reino distante,
Sempre me salva quando vem.
E, enfim, tudo acaba bem.

Apesar dessa batalha diária
Tão épica quanto vã
Sempre pego no sono
e acordo só de manhã.

Rio, 4 de Fevereiro de 2012
(Escrito depois de uma soneca, claro)

22 de janeiro de 2012

Lembrem-se



Ou ainda São dos menores poemas as mais amargas lembranças

Lembrem-se de Carajás
e também de Vigário
Não esqueçam da Candelária
e de outros massacres menos cotados.


Rio, 20 de Novembro de 2009.

18 de janeiro de 2012

Pedido de Namoro Arriscado



Até seria um amante das antigas
e pediria sua mão à sua família
Mas corro o sério risco
de deixarem só sua mão comigo...

Rio, 18 de Janeiro de 2012.

16 de janeiro de 2012

Assim Nasce Um Ateu


Ah, deus!
Adeus.

Rio, 14 de janeiro de 2011.

Morde e Assopra

Sim, eu mordo e assopro
mas faço o que posso
para ter seu coração
(pena que não dá certo).

Rio, 14 de Janeiro de 2011.

Tu e Eu - Luis Fernando Veríssimo



Semana passada comprei o livro "Poesia Numa Hora Dessas" do Luis Fernando Veríssimo. Pude constatar que, além do livro ser muito agradável, pude também reparar que meu estilo de poesia lembra um bocado o estilo do Veríssimo (nas devidas proporções, obviamente), isso sem eu ter lido até então nenhuma poesia dele. Talvez por isso que eu tenha gostado tanto do livro... Segue uma das minhas poesias prediletas, que me faz lembrar de duas pessoas... E uma delas sou eu.

Tu e Eu

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

Luis Fernando Veríssimo

25 de dezembro de 2011

My Sweet Baduizm



Seu quê de Erykah Badu
deixa meu coração em polvorosa!
Me é tão desconsertante
que fico até sem rima.

Rio, 25 de Dezembro de 2011.

17 de dezembro de 2011

Ciclo Vicioso (Afro-Disíaca)



Uma poesia feita na insônia da madrugada. Não reparem na métrica!

Me perco no escuro de sua pele
e na escuridão de seu quarto
Quero de vez em ti me perder
pra ver se pelo tato eu te acho
Ao te desejar voo tão alto,
muito alto
mesmo sabendo que sempre no chão me esborracho
Mas se tiver que cair,
que seja em teu colo
para que eu me perca
e que comece de novo esse troço!

Rio, 17 de dezembro de 2011.

28 de novembro de 2011

Amor E Futebol - Parte Três

 Quase um Pelé das cagadas amorosas.

Amor e Futebol (VIII), ou ainda Contratação de Peso

Larga de ser boba, garota
que essa oferta é boa:
Compra meu passe
que eu prometo ser seu craque. 

Rio, 26 de Novembro de 2011.

25 de novembro de 2011

Pensei em Te Fazer Um Poema


Pensei em te fazer um poema
Falando do meu amor
Eu só tenho um problema
Minhas rimas são um terror

Desculpe esses versos tão vagabundos
Mas é com todo amor do mundo
O que eu tenho pra te dizer

Pensei em te fazer um poema
Falando do meu amor
Eu só tenho um problema
Minhas rimas são um terror

Se o que vale é a intenção
Eu te abri meu coração
E o que tenho pra te dizer

Pensei em te fazer um poema
Falando do meu amor
Eu só tenho um problema
Minhas rimas são um terror

Queria te dar um presente caro
Talvez diamantes, iates ou carrros
Mas como não passo de um pobretão
O que tenho de mais valioso é
meu coração.

Rio, 15 de novembro de 2011.

Eu e Você - E Depois...


Vem cá
Quero te fazer carinho
E me dá mais cinco minutinhos
Que já fico pronto pra outra.
Achas rápido?
É que estou louco pra te deixar mais louca.

Rio, 17 de Março de 2010.
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