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18 de outubro de 2012

Eu e Emmanuelle (Luto)

Texto que fiz há uns três anos em homenagem a personagem que mexeu com as cabeças (as duas) de praticamente todos os adolescentes da minha geração.

Quando a conheci, eu nem tinha maldade o suficiente para imaginar posições sexuais. Escutava os meninos mais velhos, de 15, 16 anos, falando de posição X ou Y e eu fazia força para tentar imaginar como que era. E, na maioria das vezes, achava aquilo tudo impossível, a menos que se estivesse transando com uma ginasta romena. Mas isso foi até eu conhece-la. Até pouco tempo achava que ela era muda. Pior. Muda e bem mais velha. Não sei se minha mãe aceitaria que seu então filho inocente se relacionasse com uma mulher mais velha.
Não sei onde Emanuelle se metia durante a semana toda (ou se era metida a semana toda, vai saber), mas a madrugada de sábado era nossa. Ela chegava lá em casa por volta das duas e pouca e ficava até... Não sei até que horas ela ficava. Só sei que eu ficava exausto um pouco antes das três e ia dormir sem me despedir, e ela nem ligava. Entrava muda e saía calada lá de casa, porque o barulho podia acordar as outras pessoas da casa. Pois é, sexo perigoso e divertido.
E ela me mostrou até alguns lugares do mundo, mas ela me mostrou também seu belo par de peitos. Isso para um garoto de 14 anos é bem mais interessante que viajar para ver touradas, ir a África ou ao Oriente. Pensando bem, dependendo do par de peitos e do conjunto da obra, é bem mais interessante até hoje. Que seja. Lembro que tinha vezes que ela parecia outra pessoa. Tinha dias que ela tinha um jeitão tão anos 1970, em outros era um mulherão ao estilo anos 1990, mas sinceramente, pouco me importava. Só sei que tinha dias que as luzes ficavam meio baixas, o quarto parecia rodar... Tiveram algumas vezes que ela até me pediu para colocar um óculos 3D, para apimentar um pouco mais a noite, mas nunca consegui usar o tal óculos, por dois motivos: o primeiro era que eu achava – e ainda acho – ridículo usar óculos em lugares escuros (você não vai enxergar nada mesmo!). O outro motivo era que eu não tinha o maldito dos óculos. Mas era bom, mesmo que com ela eu sempre tive a impressão de estar sozinho. Mas dane-se. Ela era minha.
Mas não era só minha. Meus amigos também conheciam Emanuelle. Como? Não sei. E faziam todas aquelas coisas que eu fazia com ela. Estranho. Não me lembro de ter participado de nenhum gang-bang, ainda mais com conhecidos, alguns que até hoje são bem mais feios que eu. Não faziam o tipo de Emanuelle, tenho certeza. Só podia ser mentira, blefe de moleque invejoso. Calúnia! Mas desde sempre sabia que não podia confiar em Emanuelle, que parecia separada de mim por um vidro, uma tela. Fiquei transtornado, inconsolável, pelo menos até o primeiro par de peitos que de fato toquei. Mas isso é outra história. 

30 de maio de 2012

Banco Vendendo Margarina?


Eles querem meu dinheiro mesmo, colocaram até uma criança negra pra fazer a propaganda! Já é melhor que o Luciano Huck, menos mal.
 
Coisa que não dá pra entender é comercial de banco, de plano de saúde, de financiadora, de plano funeral. Acho que os publicitários que antes eram responsáveis pelos comerciais de margarina estão migrando para outros nichos. Eu levanto essa suspeita a partir do comercial do Activia, por exemplo. Como uma pessoa que sofre de prisão de ventre pode estar tão alegre? Se fosse eu, no lugar dela, já teria matado uns dez, porque meu mau-humor vem acompanhado de um instinto assassino. Mas isso não vem ao caso. Voltando ao assunto, como pode um banco, por exemplo, ter a ousadia de povoar seus comerciais com gente feliz? Eles baseiam a existência deles em te deixar mais pobre (ou mais pobre do que você já é, no meu caso e da maioria de vocês), e eu vou ficar contente com isso? Prefiro que me deem umas chibatadas, deve ser mais gostoso.
Mas não são só os bancos que tem seguido essa receita. Como eu já disse, outros abutres modernos, como planos de saúde e financiadoras, apelam para pessoas completamente felizes por terem feito pacto com o diabo, digo, de usarem tais serviços. Você se endivida (e já nem sabe porque pegou o maldito do dinheiro emprestado), mas ta contente por ter encontrado uma financiadora que te acolheu em um momento de aperto. Sinto muito, meu caro, você não viveu um momento de aperto, você nasceu pobre e não sabe gastar o seu dinheiro, caso contrário você não precisaria pegar emprestado, desculpa aê. Eu sei, é claro que eles maqueiam (e muito) o produto deles. Mas beira a fanfarronice, convenhamos. Ou você nunca reparou os comerciais de plano funerário? Um céu azul ao fundo, com nuvenzinhas brancas e tudo, com pessoas dando seu testemunho de como o serviço foi bom numa hora difícil e tudo o mais (isso sem consultar a opinião do morto, maior interessado no serviço, uma injustiça). Na boa, eu nunca poderia ser publicitário de um troço desses, meu comercial ia ficar restrito a uma frase: “deixa com a gente que cuidamos do presunto, ele não vai voltar pra reclamar”. Não teria como dar certo.
Mas depois tentem fazer um exercício de observação, comparem um comercial de margarina com o comercial de um banco, mas assista-os no mudo, sem volume. Você com certeza vai acreditar que o Itaú ou o Bradesco estão entrando com força no ramo dos laticínios. Sério!

5 de abril de 2012

Que filme vai passar mesmo?


Feliz Natal pra geral, ae

Já venho notando isso há um tempo, e acho ainda mais engraçado porque, como vocês sabem, eu não sou um homem religioso, logo, ao menos teoricamente, eu teria que ser o último a reparar nisso. Mas tenho notado uma certa distração (ou burrice mesmo) dos canais de televisão quando estamos em datas religiosas. É pule de 10 colocarem filmes religiosos para passar. Acho que até aí não tenha nada demais, sabemos que a falta de criatividade é o forte dos canais de televisão, que repetem fórmulas de folhetins que se passam em Ipanema com protagonistas chamadas Helena, jornalismo tendencioso, humor com participação permanente de bundas siliconadas e programas de fofoca. Pedir que os canais de televisão sejam criativos nas datas religiosas é realmente pedir muito.
Mas não basta passar filmes religiosos em datas religiosas. Creio que o povo que faz a programação das atrações nos canais de televisão anda tão sem saco com filmes religiosos que já colocam qualquer filme religioso na grade de programação. Eles – e penso que muitos de vocês – talvez não notem que no Natal passa filme que fala de Moisés, na Páscoa um filme que fala de Maria Madalena, no dia de Finados colocam um filme qualquer sobre Jesus – nascendo ou morrendo e ressuscitando, tanto faz – e por aí vai. É uma loucura tão grande que eu poderia pensar estar no Natal quando é Corpus Christi, por exemplo.
Mesmo que eu não perca meu precioso tempo vendo esses filmes religiosos, é interessante ligar a TV no meio da tarde nesses feriados pra tentar adivinhar que filme religioso ta passando, até porque a data não serve de dica (essa que é a maior graça!), pois, como lhes disse, o pessoal que faz a grade de programas dos canais não se liga muito nisso. E mais, diante de um filme religioso ruim eu até poderia fazer a piada de que gostei mais do livro, mas, sinceramente, nem no livro me amarrei muito.
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