Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

1 de dezembro de 2014

O Paraíso (Real)




Aprendi, ao longo da minha vida, que cada um tem a sua "Disneylândia" idealizada. Se a terra do Mickey é o paraíso para crianças de 8 a 80 anos, creio que a Comic Con de San Diego seja o paraíso para a galera que gosta de animes, quadrinhos, séries etc, ou ainda uma livraria seja o paraíso para leitores inveterados, isso só para ficarmos em alguns exemplos. Porém, outra coisa que aprendi cruelmente desde cedo é que, infelizmente, nem sempre querer é poder. Então acabamos procurando as "Disneylândias" possíveis, para servirem, no mínimo, como refúgios intermediários até conseguirmos recurso$$$ para irmos aos nossos paraísos idealizados.
E são justamente os "paraísos possíveis" os mais reveladores. Acho isso porque neles voltamos a ser crianças. Quando crianças, ao entrar numa loja de brinquedos, queríamos levar tudo; hoje ao entrar em algum lugar que nos serve como refúgio (refúgio do nosso consumo, pois o consumo é um brevíssimo bem-estar que precede uma fatura de cartão mais sem solução do que dívidas de clubes de futebol carioca), queremos levar dele tudo também. A maturidade que a idade nos traz é só uma vaga lembrança em meio a tantas bugigangas que nos cercam nesses lugares. E acredito que cada grupo, cada profissão, deva ter um lugar em que todos se comportam de maneira parecida. E a dos professores, com certeza, são as papelarias.
 Ao contrário de muitos amigos professores, (ainda) não fiquei viciado em café. Mas aos poucos começo a entender o fascínio que as papelarias exercem sobre nossa categoria. É muito engraçado, por exemplo, entrar numa dessas grandes papelarias de shopping e ver a galera se perdendo em cadernos, lápis, canetas, canetas para quadro branco, pastas... É possível ver alguns em transe. Talvez o fraco por papelarias dos professores só não é maior do que o vício em cheirar um livro novo (ou do vício - já aposentado pela tecnologia - de cheirar as folhas após elas passarem por um mimeógrafo). É nas papelarias que nossos bravos professores esquecem de seus salários inversamente proporcionais à grandeza de sua profissão e gastam como se não houvesse amanhã (ou como se tivesse acabado de ganhar um 14° salário). O professor corre o risco de entrar para comprar um pacote de 100 folhas para sua impressora e acaba saindo com material suficiente para abrir uma escola.
Logo, se você um dia precisar ir numa papelaria de grande porte e ver um sujeito com pupilas dilatadas, com um leve sorriso no rosto, andando de um lado para o outro, com vários produtos debaixo do braço e procurando ainda mais alguns, pode ter certeza, ele é um professor. Fique tranquilo, ele não morde. Só não o faça lembrar que ele vai se assustar com o total das compras se ele for levar esses troços todos. Porque se você o fizer, você verá o fim da euforia e o início da agonia, tal qual como o fim do efeito de uma droga. É deprimente entrar querendo comprar tudo e conseguir levar só uma caixa de dois lápis, pois até aquela caneta com três cores anda custando os olhos da cara. Triste.

30 de maio de 2012

Banco Vendendo Margarina?


Eles querem meu dinheiro mesmo, colocaram até uma criança negra pra fazer a propaganda! Já é melhor que o Luciano Huck, menos mal.
 
Coisa que não dá pra entender é comercial de banco, de plano de saúde, de financiadora, de plano funeral. Acho que os publicitários que antes eram responsáveis pelos comerciais de margarina estão migrando para outros nichos. Eu levanto essa suspeita a partir do comercial do Activia, por exemplo. Como uma pessoa que sofre de prisão de ventre pode estar tão alegre? Se fosse eu, no lugar dela, já teria matado uns dez, porque meu mau-humor vem acompanhado de um instinto assassino. Mas isso não vem ao caso. Voltando ao assunto, como pode um banco, por exemplo, ter a ousadia de povoar seus comerciais com gente feliz? Eles baseiam a existência deles em te deixar mais pobre (ou mais pobre do que você já é, no meu caso e da maioria de vocês), e eu vou ficar contente com isso? Prefiro que me deem umas chibatadas, deve ser mais gostoso.
Mas não são só os bancos que tem seguido essa receita. Como eu já disse, outros abutres modernos, como planos de saúde e financiadoras, apelam para pessoas completamente felizes por terem feito pacto com o diabo, digo, de usarem tais serviços. Você se endivida (e já nem sabe porque pegou o maldito do dinheiro emprestado), mas ta contente por ter encontrado uma financiadora que te acolheu em um momento de aperto. Sinto muito, meu caro, você não viveu um momento de aperto, você nasceu pobre e não sabe gastar o seu dinheiro, caso contrário você não precisaria pegar emprestado, desculpa aê. Eu sei, é claro que eles maqueiam (e muito) o produto deles. Mas beira a fanfarronice, convenhamos. Ou você nunca reparou os comerciais de plano funerário? Um céu azul ao fundo, com nuvenzinhas brancas e tudo, com pessoas dando seu testemunho de como o serviço foi bom numa hora difícil e tudo o mais (isso sem consultar a opinião do morto, maior interessado no serviço, uma injustiça). Na boa, eu nunca poderia ser publicitário de um troço desses, meu comercial ia ficar restrito a uma frase: “deixa com a gente que cuidamos do presunto, ele não vai voltar pra reclamar”. Não teria como dar certo.
Mas depois tentem fazer um exercício de observação, comparem um comercial de margarina com o comercial de um banco, mas assista-os no mudo, sem volume. Você com certeza vai acreditar que o Itaú ou o Bradesco estão entrando com força no ramo dos laticínios. Sério!

28 de maio de 2012

Sra. Classe "C"


 A maioria da galera dessa foto já tá no cheque especial, hein...

Já falei anteriormente sobre essa festa toda que os economistas fazem porque a tal da “classe C” aumentou nos últimos anos, mas sempre esqueço de alguma coisa. E não poderia ser diferente eu esquecer alguma coisa, ainda mais num texto. Pois bem, já não basta esse abrir de champagne por parte dos economistas por ter mais gente consumindo, ainda temos a tal da cereja do bolo, que é justamente vender a imagem de que a “classe C” está com tudo. Agora somos personagens principais nas novelas, os ritmos musicais que eram restritos aos “suburbanos” (ou aos “favelados”, aos “paraíbas”, e assim por diante) agora tocam alto e grave nos altos-falantes da molecada criada a leite com pêra e ovomaltino, as roupas, outrora bregas, custam os olhos da cara e assim por diante. Como é fácil ver o “modus operandi” do capitalismo nessas coisas, de inverter algumas coisas para que tudo, no final, funcione normalmente.
É a tática de ditadores espertos: (fingir) ceder alguma coisa para não perder seu poder. Ora, se agora o povão aparece na televisão, se agora ser povão ta na moda, a ditadura do dinheiro pode muito bem continuar explorando esse povão que nada vai acontecer. E é realmente isso que vem acontecendo. Mal sabemos que não estamos dominando o mundo, como estávamos imaginando, estamos dizendo “sim, senhor” tanto quanto antes, como sempre foi, afinal.
Bobos somos nós. Enquanto não nos tirarem o direito de fazer churrasquinho do fim de semana, nada faremos.
Ah, eles só esqueceram de um pequeno detalhe: de que não temos dinheiro para pagar essa conta toda. Agora eles reclamam que metade das pessoas está devendo na praça. Bem feito.

25 de maio de 2012

Dinheirinho Suado!




Quando a gente trabalha pra ter um trocadinho a mais, sempre tem alguém doido para pegar da gente. E eles atacam com mais voracidade quando sabem que você é funcionário público. Ta bom, sei que o salário de professor não me faz o Eike Batista de Del Castilho, muito pelo contrário, eu preciso trabalhar muito – e me estressar mais ainda – para ter um pouquinho de conforto. Mas nem reclamo dos ladrões “pé-de-chinelo” nem nada, até porque eles devem ter mais dinheiro que eu, vejo isso pelos cordões de ouro que os danados ostentam por aí. Eu acho graça mesmo é dos bancos, planos de saúde e outros abutres que fazem comercial com gente feliz na televisão.
O banco vê que você tem um dinheiro a mais na conta e te ligam oferecendo financiamento de carro, financiamento de casa, seguro de vida, vendem a mãe, fazem absolutamente tudo para pegar seu trocadinho suado que vai sobrar – por um milagre quase – no fim do mês. Do que já me procuraram para me emprestar dinheiro, eu já perdi as contas. Mas já falei com financiadoras, com bancos, que quando eu precisar deles, eu os procuro. Mas mesmo assim eles insistem, como da vez em que um banco me ligou me oferecendo um seguro de vida:

-         alô, senhor Flavio?
-         Sim, sou eu. Quem fala?
-         Aqui é a Fulana, sou representante do Banco Tal, tudo bem? Estou ligando para o senhor para te oferecer um seguro de vida, o senhor está interessado?
-         Não, Fulana, agradeço, mas deixa para a próxim...
-         Mas senhor, estamos com parcelas bem baixas! R$25 por mês, que tal?
-         Não, eu agradeço, mas eu...
-         R$ 19, senhor, que tal? Fica melhor?
-         Fulana, eu já disse que...
-         R$ 12, senhor! Uma pechincha!
-         Fulana, muito obrigado, mas não quero, de verdade.
-         Tem certeza, senhor? Respeito a opção do senhor, mas o senhor há de concordar comigo que a gente nunca sabe quando pode acontecer alguma coisa indesejável, né? Então isso serve para deixar a família do senhor tranquila, sabe?
-         Minha filha, na moral, posso te falar uma coisa? Sou negão, certo? Fui criado nas ruas da Zona Norte do Rio de Janeiro, fui estudante de escola pública, já entrei em mais briga do que lutador de UFC e presenciei mais tiroteio que soldado de elite americano. Passei dos 25 e não morri de tiro. Negão que passa dos 25 no Brasil vive pelo menos 300 anos, vira lenda e tudo. Você tem certeza que quer me vender esse troço?
-         Desculpa, senhor. Senhor?
-         Sim?
-         E por R$ 9?

24 de maio de 2012

Comunista!

Irmão, se o Netinho é comunista (já que é filiado ao pelego PC do B), eu sou pastor da Igreja Universal, falou?

Primeiro de quatro textos, que, por uma terrível coincidência (sério!), tratam sobre algumas nuances do sistema capitalista: umas já bastante batidas e outras fruto da minha cabeça de vento. Marx deve estar dando mortais para trás de tão indignado com minhas observações. Espero que gostem.


Eu desde já escuto os gritos de velhinhos senis (alguns de 20 e poucos anos) me chamando de “comunista!” e tudo o mais, assim como escuto uns comunistas de Adidas no pé tendo chiliques e gritando “seu reaça!”, mas não sou nem um, nem outro. Sou adepto do bom senso. Eu, particularmente, me considero esquerdista. Mas isso não me obriga a fazer como outros tantos que se intitulam "o supra-sumo da esquerda" por repetirem, feito papagaio de pirata, idéias que talvez não funcionariam 100% nem nas sociedades em que foram concebidas, o que dirá nos dias de hoje – e no Brasil, não esqueçamos desse detalhe.
Eu acho sim, que o que é possível, é construir uma sociedade mais justa, minimamente igualitária para todos, em que todos tenham condições de desenvolver suas aptidões, em que a distância entre os mais ricos e os mais pobres seja muito, mais muito menor, que o Estado seja para e pelo povo e essas coisas mais (Belo discurso, penso até em concorrer ao Nobel daqui a alguns anos). Mas também não podemos fazer o que ultimamente vem sendo feito aqui no Brasil, de dar absolutamente tudo a quem não tem nada, isso causa um sério comodismo. Isso não é dar oportunidade, é alimentar preguiçoso, o que, por sinal, é costume no Brasil. Nós alimentamos os pobres preguiçosos, os deputados preguiçosos, os ricos continuam comprando Ferraris (com o dinheirinho do papai que é amiguinho íntimo de alguns dos nossos governantes e atropelando trabalhador) e o que sobra no nosso bolso serve pra gente ir vivendo nossas vidinhas, fingindo que tudo está bem.
Acho o discurso de “self-made man” ridículo por ser completamente individualista. A partir daí cria-se uma sociedade onde as pessoas se importam só com seu umbigo e que tudo e competição. A solidariedade, a preocupação com o outro, some. Mas acho tão ridículo quanto o discurso de “pessoas que se fazem por si só” o discurso do “pobre coitado”, que cria uma multidão que sempre vai esperar a ajuda do Estado para tudo, já que o governo tudo dá para quem não tem condições. Eu vejo com meus próprios olhos que isso não funciona, nas escolas em que dou aula. As crianças não prezam pelo o que é dado pra elas. Então imaginem os pais dessas crianças. E sim, essa é uma geração perdida, porque já está contaminada com essa mania de receber tudo do Estado, ao invés de se acostumar a conseguir as coisas. Infelizmente não vai passar de uma geração acomodada.
Infelizmente muito do que está errado é culpa do nosso trato com o dinheiro: é a desigualdade gritante, é o consumo desenfreado, é a sensação de que tudo se compra... Se fôssemos fazer uma lista, demoraríamos dias. Mas o dinheiro vem envenenando as relações de tal maneira que chego a pensar que estamos na sombra do fundo do poço. Mas como a esperança é a última que morre e sou um sujeito esperançoso...Nunca se sabe, né?

9 de abril de 2012

Flavio Responde, 2


Olá Flavio!
Creio que você seja um homem informado e que esteja acompanhando as notícias sobre economia. Pois é, aqui no Velho Mundo as coisas andam complicadas... Já apelamos para toda sorte de soluções e a nossa economia continua passando dificuldades. Já chegamos até ao absurdo de termos trocado todas as nossas vacas (tanto as que ruminam nos pastos quanto as que fazem topless em Ibiza no verão) por feijões mágicos, sem muito sucesso. Mas como o fundo do poço nunca é o bastante (considere isso um elogio), chegamos ao extremo de mandar esse e-mail para você. Qual suas dicas para salvar a Europa da bancarrota? Queria uma solução prática, mas que não abale a pequena fortuna dos nossos amados magnatas da especulação financeira, claro.

Ass.: um primeiro-ministro europeu desesperado.

Meu caro ministro, antes de tudo é muito bom saber que gozo de enorme (falta de) prestígio na Europa. Creio que se eu tentar sair daqui para visita-los, eu serei barrado ainda no Aeroporto Internacional daqui, de tanta moral que ostento na Europa. Mas, mesmo assim, fico lisonjeado em poder ajuda-los, eu acho. Que seja. Eu vejo dois caminhos bastante interessantes para solucionar o problema de vocês. Vamos a eles:

- O aluguel: não, não é o aluguel de seu apartamento triplex no Mediterrâneo, é algo muito maior. Vocês poderiam alugar, por exemplo, os Alpes Suíços, os centros históricos ou até mesmo a neve que cai por aí para os novos-ricos, principalmente os brasileiros, russos (esses definitivamente não precisam de neve, mas tudo bem) e chineses, que são tão chegados a exibir pra meio mundo que tem dinheiro, que gastam dinheiro ate com coisas que não sabem pra que servem. Vocês poderiam aproveitar esse traço de nossa personalidade para ganhar o pão de cada dia. Além disso, vocês poderiam alugar também seus índices de educação, de saúde e segurança, para nós, novos-ricos, sentirmos o gostinho de sermos civilizados. Aproveitem que as obras para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas por aqui andam meio atrasadas e alugue a sua infra-estrutura também. Ficaríamos agradecidos e pagaríamos bem.

- Ou a troca: se vocês acharam a ideia do aluguel um ultraje, aconselho uma via um pouco mais barata, menos trabalhosa, mas que pode dar dor de cabeça para vocês a curto e médio prazo, que é uma troca. Eu, enquanto brasileiro comprometido e preocupado com a situação de meus amigos europeus (e doido pra passar a perna em vocês, como um bom trambiqueiro que se preze) posso intermediar um empréstimo junto ao governo federal para vocês. Vocês não precisarão nos devolver o dinheiro, mas terão que nos dar algo em troca, além de levar algo que não queremos como contrapeso. Por exemplo, trocamos o sertanejo universitário pelas moças de peitos de fora do Femen. Ninguém por aqui em terras tupiniquins agüenta mais esses comunistas que tem Iphone, então elas dariam um charme e uma beleza a mais nos protestos brasileiros. Por coincidência, sou presidente da Associação de Amparo a Feministas Que Parecem Modelos de Peitos de Fora, então tenho toda a infra-estrutura para abrigar as pobres das moças aqui mesmo no meu quarto. Simples, não?

Mais uma vez, agradeço a confiança que vocês depositaram em mim, para lhe dar conselhos tão pouco ortodoxos, mas sempre pontuais. Se vocês precisarem de um trabalho ainda mais profissional da minha pessoa, é só entrar em contato comigo. O preço pelos meus serviços de aconselhamento são sempre acessíveis, no caso de vocês posso fazer uma camaradagem, é só depositar 10 milhões de euros na minha conta. Se vocês não possuírem essa quantia, não tem problema. Me convidem para umas 15 ou 20 festas do Berlusconi que ta tudo certo! Um abraço acalorado e suado dos trópicos para vocês.
 

 

22 de dezembro de 2011

Eu e Meu Salário - O Poema

Foi-se cedo
Não me pediu café
Deu seu recado de pé mesmo,
só para dar mais drama ao enredo.
 "Não fico mais um segundo!"
(disse ele)
Mas o que será de meu mundo
sem a ajuda dele?
E ele, com seu ar filosofal
E profético
(mas beirando ao patético)
tratou de diminuir tamanho mal:
“Vou mas já volto
E de repente até me empolgo
E fico mais duas horas da próxima vez.”
Sentiste, leitor, o mal que ele me fez?
E todo dia 5
Sinto-me como um magrelo sem cinto:
Sempre com as calças na mão.

Sarjeta, 6 de Março de 2010.

28 de novembro de 2011

Amor E Futebol - Parte Três

 Quase um Pelé das cagadas amorosas.

Amor e Futebol (VIII), ou ainda Contratação de Peso

Larga de ser boba, garota
que essa oferta é boa:
Compra meu passe
que eu prometo ser seu craque. 

Rio, 26 de Novembro de 2011.

2 de outubro de 2011

Consumo Bem Classe "C"...

Atenção: Você está gastando r$ 0,03 de internet nesse blog.

Juro para vocês que tem horas que quase me convenço que sou um cara realmente implicante por conta de algumas opiniões. Mas quando estou quase me convencendo que estou exagerando, vejo que na verdade estou cheio de razão. E uma das coisas que acho mais inconcebível é a pessoa se endividar para comprar algo “luxuoso”. “Luxuoso” entre aspas porque daqui a pouquinho o tempo vai dizer que aquele artigo que hoje é o supra-sumo da evolução da tecnologia será o lixo de amanhã. Desculpa o pessoal que tem espírito de novo rico, que acha que tem que comprar o que “está na moda”, mas penso que é burrice comprar algo só porque “todo mundo tem”.
Mas pior que isso é você ser “pra lá da classe C” e inventar de dar uma de Eike Batista. Ora, se já acho ruim o fato de você ter dinheiro e querer comprar tudo que é tido como “o mais moderno”, imagina o quanto eu acho pavoroso o fato do sujeito que se endivida para ter o carro mais legal da rua. Não tem comida em casa, mas tem o carro com o som mais potente da vizinhança; os filhos não tem um livro, mas em compensação eles tem um celular que liga, recebe chamada, toca música, fatia a carne do churrasco de domingo e ainda diz que te ama. É algo que realmente não entendo. E nem venham os apaziguadores me falar que cada um tem uma necessidade, que cada um gasta seu dinheiro do jeito que bem entende, entre outras ladainhas. Esse comportamento consumista é ridículo. As pessoas se deixam levar por discursos vazios, por necessidades fúteis para justificar suas compras. É um tal de imperativos (“tenha”, “compre”, “adquira”) que fico tonto.
Enquanto saciamos, na verdade, a vontade (quase sexual) dos economistas, que atribuem ao alto volume do consumo ao aumento da renda média, nos enchemos de coisas que daqui a pouquíssimo tempo não saberemos o porque que compramos, até porque, ao contrário da renda média, que os economistas dizem que está aumentando, a nossa inteligência já anda na sombra do fundo do poço faz tempo. Mais do que isso, além de não usar mais o que compramos, por diversos fatores como “estar obsoleto”, “fora de moda” ou simplesmente por estar quebrado (já que os bens de consumo hoje são praticamente descartáveis), estaremos pagando um preço bem alto por esse impulso em comprar o que não é necessário.
Mas penso que o problema é que muitos de nós não sabemos dar o devido valor ao nosso suor em ganhar o “vil metal”, como um primo meu se refere ao dinheiro. Pouco vejo as pessoas juntando dinheiro para comprar algo que está um pouco fora do alcance financeiro. Agora a satisfação tem que ser imediata. Compra-se o produto e depois vê se dá pra pagar. Quando se tem a oportunidade de adquirir um cartão com um limite mais alto, já corremos para as compras de artigos caros e que não podemos pagar. Penso que nosso maior problema é não saber a hora certa de comprar as coisas, já que hoje valorizamos o imediato, o prazer instantâneo em tudo, até mesmo na satisfação em consumir algo, mesmo que os efeitos no bolso sejam os mais assustadores. E por aí vamos nos perdendo nesse vício consumista. Vamos nos perdendo num caminho sem volta, mas tirando uma onda com o vizinho, que vai morrer de inveja por não ter o que temos. Isso sim parece ser melhor do que ter o que compramos.
Creative Commons License
Um Blog de Nada by Flavio Braga Mota is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Based on a work at umblogdenada.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://umblogdenada.blogspot.com.