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6 de fevereiro de 2012

Dissecando Expressões, 2

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Avançadas Flavio Braga pesquisando sobre mais um mistério da nossa língua. Imagem meramente lustrativa.

“Songamonga”: Gíria (muito antiga, por sinal) que adjetiva uma pessoa lenta, boba, palerma. Seu primeiro registro data da década de 1960, graças ao futebol. Já antevendo o que hoje é uma tendência, que é a contratação de jogadores estrangeiros, o Flamengo contrata, a peso de ouro, o jogador camaronês Song Among, que teve seu talento confirmado por uma fita VHS. Mas engana-se que o Flamengo o contratou ao ver no vídeo jogadas de efeito do jogador. O clube, na verdade, ficou espantado com o fato de que alguém, em plena década de 1960, conseguir gravar uma fita VHS, já que o custo para a produção de um VHS era muito elevado – tão caro quanto ter um aparelho de vídeo cassete, que o Flamengo, a exemplo de praticamente todos os brasileiros, não possuía tal luxo, então a fita na verdade não foi vista neste primeiro momento -. Recebido na Gávea com status de estrela do futebol internacional (torcedores mais apressados já entoavam uma marchinha que dizia que “Song Among era melhor que Pelé”), o talento futebolístico de Song Among nunca veio à tona, tanto que em menos de três meses Song Among seria dispensado pelo clube rubro-negro. Anos depois, descobriram que o verdadeiro talento do camaronês era uma “terceira perna”, e que a fita chegou acidentalmente na Gávea, quando ela era endereçada, na verdade, a uma produtora de pornochanchadas, gênero que já fazia grande sucesso nos cinemas nacionais. Graças a esse episódio pitoresco, o nome de Song Among virou sinônimo de palerma. Mais do que isso, o episódio serve também como registro pioneiro de práticas “songamongas” de nossos clubes de futebol, como contratar jogadores de talento suspeito por vídeo, além de contratar pernas-de-pau a peso de ouro.

17 de janeiro de 2012

Dissecando Expressões, 1

Cientista do Instituto de Pesquisas Avançadas Flavio Braga trabalhando. Imagem meramente ilustrativa.

Uma série de pesquisas sérias (que não é pra ser levada a sério) desenvolvida pela minha pessoa sobre expressões linguísticas que usamos no nosso dia-a-dia. Tudo feito com nenhum embasamento científico, histórico ou linguístico. Mas tudo com muito critério. Confira abaixo os primeiros resultados da pesquisa:

“Ficar de pista”: expressão que significa algo como esperar por alguma coisa e não consegui-la, com o agravante de deixar o sujeito em maus lençóis. Segundo alguns registros, a expressão surgiu graças a setores marginalizados da sociedade carioca, como os homens negros que tentavam pegar táxi e os estudantes da rede pública e os idosos, dependentes do transporte público. Como taxistas não param para homens negros e motoristas de ônibus não param para estudantes e idosos, esses grupos sempre ficavam a pé, na pista em que táxis e ônibus circulam. Daí a expressão “ficar de pista”. Contudo, há outra corrente acadêmica que defende que o “ficar de pista” foi popularizado por um sadomasoquista que, para alcançar o orgasmo, pedia que seus companheiros sexuais passassem por cima dele com uma Caloi, com rodinhas e tudo. Seus parceiros sexuais diziam que ele gostava de “ficar de pista” para as bicicletas alheias. E ele realmente ficou de pista: segundo registros históricos, ele morreu atropelado por um ônibus da linha 680.

“Do balacobaco”: expressão muito antiga (registros indicam que ela já era usada pela então adolescente Hebe Camargo na Roma Antiga) que significa algo muito legal. Surgiu graças à fama de um baiano, chamado Edu Bala, considerado por muitos o primeiro empresário de grande sucesso na história do Brasil (já que era dono de inúmeras cabeças de gado, de campos petrolíferos, magnata da comunicação e empresário de bandas de axé) e que serviu de inspiração para figuras do porte de Visconde de Mauá, Chateaubriand, Silvio Santos, Eike Batista e o dono da birosca aqui da esquina. Bala (chamado assim pelos seus amigos íntimos) conhecia, por conta de seu poder econômico, muita gente importante. Além disso, era um amante das festas regadas a mulheres nuas, drogas, álcool, anões travestis besuntados em gel e pôneis pernetas. E graças a esse passatempo assaz lúdico, ele conheceu o deus greco-romano Baco, o deus do vinho, da ebriedade, dos excessos, especialmente sexuais, e da natureza (que foi? Pesquisas sérias também pesquisam no Wikipedia). A partir daí, as festas de Bala, que já eram históricas, com a presença e a animação de Baco passam a ser míticas, pois chegavam a durar semanas e até meses. Graças a esse relacionamento muito estreito de Bala com Baco, as festas que prezavam pelos excessos a partir de então ficaram conhecidas como “festas do Bala com o Baco”, e foi daí que surgiu a expressão “do balacobaco”.
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