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22 de novembro de 2013

Manifesto à Preguiça





Um (breve) Manifesto à Preguiça

Por Flavio Braga

*Dedicado apenas para Marx, Engels e Jaiminho, o de Tangamandápio, para evitar a fadiga.

Esta é a primeira declaração do partido que se intitula Partido da Preguiça, representado na figura deste que vos fala, que conta com vários membros e colaboradores em todas as partes do mundo. Até declararíamos guerra ao sistema, mas já beira às 19 horas de uma sexta-feira. Deixa para segunda.

Amigos, uma sombra de coqueiro paira sobre o neoliberalismo – a sombra da preguiça.
Durante toda a história da Humanidade estivemos relegados ao papel de vilões. Desde o engenheiro que calculou mal o nariz da esfinge no Egito (deu no que deu) até o burocrático funcionário público brasileiro. Não é de nosso feito lutar por um papel de protagonista na História, até porque ser protagonista dá muito trabalho. Estamos apenas exigindo o respeito que merecemos. Respeito, sombra, água fresca e um Playstation 3.
A história de toda Humanidade até nossos dias não foi mais do que a luta do trabalho contra o ócio criativo.
Espartanos e a filosofia ateniense, a formiga e a cigarra, paulista e o baiano, o Caxias e o malandro – numa palavra, o workhalic contra o preguiçoso, em oposição constante, que só não travaram uma luta sangrenta porque o preguiçoso estava dormindo depois do almoço.
A sociedade moderna, construída sobre o alicerce de uma suposta liberdade, não aboliu a tentativa de lição moral onde só o workhalic é tido como exemplo a ser seguido. Muito pelo contrário, apenas estabeleceu o politicamente correto para que nós, preguiçosos, não pudéssemos tirar uma soneca com todo esse estardalhaço que fazem em prol de trabalhar e produzir cada vez mais.
O neoliberalismo julgou-se o último biscoito do pacote de Trakinas, mas só faz explorar desde bandas de reggae até crianças vietnamitas em prol do lucro predatório. O neoliberalismo não é um santo remédio como julgavam os economistas de palavras incompreensíveis em meados do distante século XX. É uma afronta à nossa santa preguiça de cada dia. Amém!
Não há mais preguiça num mundo onde cada pessoa parece um Simeone pronto para dar um carrinho violento no primeiro brasileiro que cruzar seu caminho, baseado no mantra “fique rico ou morra tentando”.

Os preguiçosos não tem nada a perder senão seus despertadores. Tem uma rede de dormir novinha esperando na varanda mais próxima para ganhar.



PREGUIÇOSOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!
Uni-vos para um luau, ao pôr-do-Sol, claro.

P – Partido da Preguiça (o “P” de Preguiça do nome do partido saiu para almoçar. Volta depois das 16 horas só para bater o ponto).

24 de maio de 2012

Comunista!

Irmão, se o Netinho é comunista (já que é filiado ao pelego PC do B), eu sou pastor da Igreja Universal, falou?

Primeiro de quatro textos, que, por uma terrível coincidência (sério!), tratam sobre algumas nuances do sistema capitalista: umas já bastante batidas e outras fruto da minha cabeça de vento. Marx deve estar dando mortais para trás de tão indignado com minhas observações. Espero que gostem.


Eu desde já escuto os gritos de velhinhos senis (alguns de 20 e poucos anos) me chamando de “comunista!” e tudo o mais, assim como escuto uns comunistas de Adidas no pé tendo chiliques e gritando “seu reaça!”, mas não sou nem um, nem outro. Sou adepto do bom senso. Eu, particularmente, me considero esquerdista. Mas isso não me obriga a fazer como outros tantos que se intitulam "o supra-sumo da esquerda" por repetirem, feito papagaio de pirata, idéias que talvez não funcionariam 100% nem nas sociedades em que foram concebidas, o que dirá nos dias de hoje – e no Brasil, não esqueçamos desse detalhe.
Eu acho sim, que o que é possível, é construir uma sociedade mais justa, minimamente igualitária para todos, em que todos tenham condições de desenvolver suas aptidões, em que a distância entre os mais ricos e os mais pobres seja muito, mais muito menor, que o Estado seja para e pelo povo e essas coisas mais (Belo discurso, penso até em concorrer ao Nobel daqui a alguns anos). Mas também não podemos fazer o que ultimamente vem sendo feito aqui no Brasil, de dar absolutamente tudo a quem não tem nada, isso causa um sério comodismo. Isso não é dar oportunidade, é alimentar preguiçoso, o que, por sinal, é costume no Brasil. Nós alimentamos os pobres preguiçosos, os deputados preguiçosos, os ricos continuam comprando Ferraris (com o dinheirinho do papai que é amiguinho íntimo de alguns dos nossos governantes e atropelando trabalhador) e o que sobra no nosso bolso serve pra gente ir vivendo nossas vidinhas, fingindo que tudo está bem.
Acho o discurso de “self-made man” ridículo por ser completamente individualista. A partir daí cria-se uma sociedade onde as pessoas se importam só com seu umbigo e que tudo e competição. A solidariedade, a preocupação com o outro, some. Mas acho tão ridículo quanto o discurso de “pessoas que se fazem por si só” o discurso do “pobre coitado”, que cria uma multidão que sempre vai esperar a ajuda do Estado para tudo, já que o governo tudo dá para quem não tem condições. Eu vejo com meus próprios olhos que isso não funciona, nas escolas em que dou aula. As crianças não prezam pelo o que é dado pra elas. Então imaginem os pais dessas crianças. E sim, essa é uma geração perdida, porque já está contaminada com essa mania de receber tudo do Estado, ao invés de se acostumar a conseguir as coisas. Infelizmente não vai passar de uma geração acomodada.
Infelizmente muito do que está errado é culpa do nosso trato com o dinheiro: é a desigualdade gritante, é o consumo desenfreado, é a sensação de que tudo se compra... Se fôssemos fazer uma lista, demoraríamos dias. Mas o dinheiro vem envenenando as relações de tal maneira que chego a pensar que estamos na sombra do fundo do poço. Mas como a esperança é a última que morre e sou um sujeito esperançoso...Nunca se sabe, né?

25 de janeiro de 2012

NadaCrônicas


Ou Ainda O Galanteador Comunista

-    Olá, companheira.
-    Companheira de quem? De você, barbudo?
-    Claro, por quê não?
-    Mas nem te conheço.
-    Meu nome é Lenin Stalin Mao Marx Engels Guevara-Castro, mas pode me chamar de Flavio.
-    Você é muito estranho. Você é um daqueles fãs malucos do Los Hermanos, não é?
-    Não, meus hermanos são outros. Tem o Chavez, o Morales, Correa, Noriega...
-    Quem?
-    Não importa. Estou aqui por uma nobre causa.
-    E qual seria esta nobre causa?
-    Quero que você divida seu latifúndio comigo. É rapidinho, dois minutos, juro.
-    O quê? Sabia que tenho namorado, e ele é faixa preta de caratê?
-    Poxa, companheira, fala para ele que ele tem que dividir o que ele tem sobrando com os menos afortunados. Abaixo ao monopólio! Viva a ditadura do proletariado!
-    Não o nome dele não é Monopólio, é Valdemar. Um loiro alto, olhos azuis, lindo.
-    Yankee!
-    Não, é Valdemar.
-    Neoliberal estadunidense, sabia.
-    Não, ele é de Cascadura, mesmo.
-    Bem, isso não importa. Meu papo é com você. Quero te mostrar a força do meu operariado, se é que você me entende.
-    Sabia que você é muito insistente?
-    Mas temos que ser insistentes para alcançar a revolução, ou o par de peitos mais próximo, tanto faz.
-    Você é um grosso, sabia?
-    E você é uma pobre vítima do capitalismo selvagem estadunidense, que pode até calar as nossas vozes, mas ele sabe que nunca vai se livrar da revolução, pois a revolução está escondida em cada gueto, em cada lugar onde a injustiça impera, esperando uma chance para se levantar contra o sistema neoliberal...
-    Nossa.
-    O que?
-    Suas palavras. Foram profundas. Eu acho que vou te dar uma chance.
-    Eu sei, aprendi quando passei um tempo em Havana.
-    Com Fidel?
-    Não, com companheira Maria Del Barrio, uma moça da vida. Muito profunda. Ou pelo menos algumas partes do corpo dela eram profundas, que seja. Endurecer, sim, perder a ternura, jamais!
-    Posso te fazer uma pergunta?
-    Uhum.
-    Se você é comunista, então significa que você vai me dividir com seus tais companheiros?
-    Claro que não. Só se o Partido Comunista da União Soviética me pedir.
-    Mas a URSS não existe mais.
-    Por isso mesmo, não quero correr perigo.
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