Vê a diferença? Eu não.
Todos sabemos que a cabeça de uma mulher é algo muito, mas
muito complexo. Pra uma criatura que diz “sim” querendo dizer “não”, “não”
querendo dizer “sim” e “talvez” quando quer deixar um sujeito maluco de vez,
nada parece ser complexo como nós, homens, vemos. Talvez essa dificuldade de
entendermos a cabeça das mulheres seja uma das coisas mais fascinantes que elas tem, perdendo
apenas para as partes erógenas do corpo feminino, que opiniões a parte, acho
mais interessante. Mas só um pouquinho.
Em qualquer coisa essa complexidade do pensamento das
mulheres se manifesta. Se você reparar bem, é exatamente isso que ocorre
durante 24 horas por dia. A vida, o comportamento, ou até o piscar de olhos de
uma mulher são tão complexos que dariam teses (longas e inacabadas, claro) sobre
essa tal da complexidade das coisas femininas. Mas a complexidade do pensamento
feminino chega em seu auge quando se discute sobre as cores de esmalte. É uma
variedade de cores e tons que inveja qualquer carnavalesco de primeira linha do
carnaval carioca. Enquanto um homem médio, por exemplo, costuma enxergar, no
máximo, 16 cores, as mulheres costumam enxergar, no mínimo, 16 tonalidades diferentes de
qualquer cor. É um tal de “branco claro folha de caderno de estudante
preguiçoso e repetente três vezes do 9° ano de escola estadual”, de “vermelho
tapete da cerimônia do Oscar após ser pisado pelo gato do Brad Pitt com aquele
luxo de sapato italiano mas com aquela feia da Angelina Jolie a tiracolo”, de
“roxo cor de uma direta de esquerda do Anderson Silva no meio da fuça de um
adversário incauto” que deixa qualquer homem tonto e pedindo aos céus para que
passe a enxergar apenas em preto-e-branco.
E abram seus olhos, meus amigos, quando uma mulher pedir uma
opinião sobre que cor ela deve pintar as unhas. Se possível, para evitar que
sua cabeça de homem prático sofra um colapso, finja um infarto, ou terá que
enfrentar uma situação igual a essa:
-
Flavio, amanhã vou pintar as unhas, só que estou em dúvida,
não sei de que cor eu pinto.
-
Mas você gosta de que cores?
-
Eu gosto de vermelho, roxo e rosa.
-
Vai de rosa.
-
Rosa o quê?
-
Como assim “rosa o quê”? Ué, “rosa rosa”!
-
Tá, rosa, mas qual tonalidade?
-
Sei lá, ré menor?
-
Hã?
-
É o tipo de tonalidade que conheço. E nem tenho certeza se essa é a expressão certa, não entendo muito de teoria musical.
-
Não, quero saber se é um rosa claro ou escuro.
-
Ah, tá... Sei lá, rosa claro, pode ser?
-
Pode. Mas aberto ou fechado?
-
Você vai fazer unha ou abrir porta?
Essa é a hora em que você finge um infarto, porque a partir
daí, só piora. É um tal de rosa bebê, rosa chiclete, rosa arábico (nem sabia
que os árabes, com aquelas barbas usavam rosa, vivendo e aprendendo), rosa
flúor, rosa doce, rosa shock, rosa glamour, isso pra ficar só no básico de tons
de rosa. Aí ela, tadinha, pacientemente (ou não), vai tentar te explicar a
diferença entre cada tonalidade de rosa existente, e das duas, uma: ou você finge
que está entendendo tudo, ou se esforça para entender e acaba com uma dor de
cabeça por tentar entender – e por tentar enxergar – as diferenças entre um
“amarelo sorriso de pobre desdentado feliz ao achar uma moeda de um real” e um
“amarelo sorriso de pobre por ter achado duas moedas de cinqüenta centavos”.
Mulher é fogo. Deve ver uma festa das cores até em xerox
preta-e-branca.
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