Creio que inventei a modalidade “cético cagão”. Eu sempre
sou um dos primeiros a levantar a voz pra falar “só acredito vendo”, mas também
quando acontece alguma coisa que mexe com o meu ceticismo, fico uma semana sem
dormir. Não costuma acontecer isso com tanta freqüência, mas quando acontece,
mexe com minha cabeça de vento. Mas passa. Mas que mexe, mexe.
Pior que ser um “cético cagão” é ser um “cético cagão E
curioso”. Se eu fosse daqueles que ficam seguros e felizes no conforto do meu
ceticismo, seria ótimo. Mas não, eu tenho sempre que testar meu ceticismo para colocá-lo em forma. E um dos meus principais métodos de
testar o meu peculiar grau de ceticismo é ler meu horóscopo, todo santo dia. Apesar de nunca acreditar
nesse papo de signo para o bem do meu
ceticismo, chego ao extremo de receber, por e-mail, meu horóscopo. Eu leio,
presto atenção nos conselhos e tudo, mas como não somos obrigados a acreditar em
tudo que falam pra gente, não dou trela pra 90% das coisas. Confesso que algumas (muitas) coisas são impraticáveis,
como “seu signo recomenda que nos próximos 15 dias você não pode sair de casa”
ou “fuja de conflitos no dia-a-dia” – e olha que adoro ficar sossegado em casa
e adoro mais ainda praticar minha capacidade inata de ser da turma do “deixa
disso” -, mas quando os astros decidem acertar, acertam na mosca (ou me levam a
acreditar que eles acertam, sei lá). É nessas horas que o lado medroso do meu
ceticismo fica assustado feito uma garotinha de dez anos, que se esconde debaixo
de uma cama imaginária que fica na minha cabeça. Por um breve momento, meu mundo cai. Meu
mundo cai, sinto as coisas rodando, vejo coisas hipotéticas como o Atlético
Mineiro líder do campeonato brasileiro, mas dois minutos depois tudo volta ao
normal. Meu abuso ainda me permite desafiar o desconhecido: sempre falo um
“duvido acertar de novo!” e fica tudo certo.
Mas que dá um medo do desconhecido acertar de novo... Melhor
nem falar muito.
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