Indo um pouco na contramão da minha geração e da molecada
mais nova, sempre gostei de escutar o que os mais velhos tinham a dizer, mesmo
que eles não raro repitam detalhes ou mesmo histórias inteiras. Mas sempre
achei gostoso escuta-los. De vez em quando para um senhor ou uma senhora no
ônibus, por exemplo, puxando papo comigo. Não sei exatamente o porquê, talvez
eles veem que sou receptivo ou talvez eles estejam tão desesperados que alguém
os escute que eles aceitam ser escutados por qualquer um, até por mim. Que
seja, nunca vou saber. Nesses papos já conheci histórias de sucesso, fracasso,
histórias engraçadas... Já cheguei a conversar com um senhor que – segundo ele
– foi músico da Rádio Nacional. Legal mesmo.
Mas as melhores lembranças que tenho dessas conversas são
das conversas com meu avô paterno. Quase sempre aconteciam no portão da casa em
que ele mora. Ficávamos um bom tempo calados, olhando o movimento da rua, o vai
e vem de pessoas e carros, até que ele sempre me perguntava como eu estava nos
estudos. “Está tudo bem, vô”, e sempre esteve, nunca tive problemas mais sérios
com a escola. A partir daí ele discursava com uma candura que só os avós tem
sobre a importância de eu estudar, em deixar legados, em não ir “pra bagunça”,
essas coisas. Pode não parecer muita coisa, mas penso que aprendi mais coisas
nessas conversas com meu avô do que eu aprenderia em mil livros.
Eu penso que estamos carentes disso, de lições. Mais do que
nunca pensamos que sabemos de tudo, queremos fazer tudo rápido e ao mesmo tempo
e de forma inconsequente. O mundo nos transformou em monstros mimados e
individualistas, essa é a realidade. Precisamos de bom senso, de pé no chão, e
justamente é isso que os mais velhos falam da gente. Mesmo que eu cometa meus
deslizes (todos cometem, uns mais, outros menos e outros só sabem deslizar como
se a vida fosse um enorme tobogã), toda noite eu paro e me pergunto, “foi isso
que meu avô me ensinou? Será que estou no caminho certo?”, mas não porque meu
avô e as pessoas mais velhas sejam donas da razão. Mas acho que ainda
cabe perpetuar os bons ensinamentos. Esses ensinamentos, ao contrário de roupas, músicas, ou
cortes de cabelo, nunca saem de moda, e tirá-los de vez em quando pra passear nunca é demais.
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