Diferente
das outras milhões de vezes, comecei um texto do final, do último parágrafo
para ser mais exato. E já vou adiantando (até para que você não perca seu tempo
lendo), o último parágrafo não foge muito das obviedades faladas pelos
professores, por isso que foi fácil começar do final. Talvez até mesmo o texto
todo em si não fuja de obviedades sobre o que é ser professor, sobre nossas
dificuldades, sobre os prazeres que a profissão nos proporciona, mas ano após
ano algo lá no âmago do meu ser me fala que eu tenho que reforçar essa série de
coisas, justamente para que as pessoas acompanhem com mais carinho a situação
da categoria e também de nossos alunos e também serve como um renovar de ânimo
para mim em continuar no magistério, pois, confesso, tem horas que quase
desisto.
Mas não
desisto. E não sei
exatamente o motivo de não ter desistido.
Talvez porque, apesar de tudo, sinto que é uma
das coisas que faço de melhor, mesmo que eu não seja o melhor no que eu faço,
pois vejo que preciso me aperfeiçoar em muitas coisas. Mas para melhor
aperfeiçoamento de alguma dessas coisas, preciso ter o mínimo de tempo para me
dedicar, e "tempo" para um professor atualmente é algo tão
complicado ter "aumentos salariais acima
da inflação".
Talvez
porque vejo em cada aluno meu um pouco de mim, pois muitos enfrentam ou
enfrentarão obstáculos muito parecidos com os que enfrentei. Alguns já
enfrentam obstáculos muito grandes até para pessoas da minha idade, então me
sobra apenas o papel de tentar ajudar a superá-los pelo caminho da educação,
que pode ser pouco, mas é o que ajuda e dá esperança a muitos em situação de
fragilidade familiar e social, por exemplo.
Talvez
porque sinto que faço parte de uma geração que deu início a algumas mudanças
significativas na nossa sociedade e me sinto na missão de passar essa missão
adiante. Mas que não me vejam como doutrinador ou algo parecido, porque
acredito que não o sou e odiaria sê-lo, mas como um conselheiro, pois essa
molecada tem direito de saber que ela pode ir mais longe, mas que são eles os
donos do destino deles.
Talvez
porque toda vez que me sinto em dúvida, ou mesmo desestimulado a ponto de jogar
tudo para o alto, eu lembro do sorriso dos meus alunos a cada acerto, a cada
elogio recebido, a cada demonstração minha e de outros colegas de profissão de
que não somos melhores do que eles e que o processo de aprendizagem é
bilateral.
Talvez
porque tenho sorte de, não raro, olhar para o lado e ver amigos que desenvolvem
trabalhos tão inspiradores que eu sinto que preciso estar perto do nível deles,
pois eles merecem ter ao lado pessoas que comprem seu barulho em fazer uma
educação pública E de qualidade.
Ou talvez
porque sou orgulhoso e teimoso mesmo. Se sou com outras coisas, porque seria
diferente justamente com meu ofício?
Espero que
eu viva para ver menos "tapinhas nas costas" pelo Dia dos Professores
(e SÓ no Dia dos Professores) e veja mais valorização da profissão, não só
financeiramente, mas também na infraestrutura de nossas escolas, no fim de
políticas educacionais que prezam muito mais a quantidade do que a qualidade
dos índices da educação, no respeito de toda a sociedade por esse profissional
que é tão fundamental a ela. E que os
professores também se deem valor, sem se vitimizar a ponto de dizer que a culpa
da situação da educação atualmente não ser nossa culpa e, ao mesmo tempo, não
ter vergonha de descer do pedestal e aprender com seus alunos. O dia em que
isso tudo pode se concretizar, serei franco com vocês, parece bem distante. Mas
a esperança que tenho por dias melhores me diz que eles chegarão. Então, que
nós, professores, tenhamos um merecido dia de descanso e amanhã estejamos
preparados para dar continuidade a essa luta. Feliz Dia dos Professores!

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