Quando a gente trabalha pra ter um trocadinho a mais, sempre
tem alguém doido para pegar da gente. E eles atacam com mais voracidade quando
sabem que você é funcionário público. Ta bom, sei que o salário de professor
não me faz o Eike Batista de Del Castilho, muito pelo contrário, eu preciso
trabalhar muito – e me estressar mais ainda – para ter um pouquinho de
conforto. Mas nem reclamo dos ladrões “pé-de-chinelo” nem nada, até porque eles
devem ter mais dinheiro que eu, vejo isso pelos cordões de ouro que os danados
ostentam por aí. Eu acho graça mesmo é dos bancos, planos de saúde e outros
abutres que fazem comercial com gente feliz na televisão.
O banco vê que você tem um dinheiro a mais na conta e te
ligam oferecendo financiamento de carro, financiamento de casa, seguro de vida,
vendem a mãe, fazem absolutamente tudo para pegar seu trocadinho suado que vai
sobrar – por um milagre quase – no fim do mês. Do que já me procuraram para me
emprestar dinheiro, eu já perdi as contas. Mas já falei com financiadoras, com
bancos, que quando eu precisar deles, eu os procuro. Mas mesmo assim eles
insistem, como da vez em que um banco me ligou me oferecendo um seguro de vida:
-
alô, senhor Flavio?
-
Sim, sou eu. Quem fala?
-
Aqui é a Fulana, sou representante do Banco Tal, tudo bem?
Estou ligando para o senhor para te oferecer um seguro de vida, o senhor está interessado?
-
Não, Fulana, agradeço, mas deixa para a próxim...
-
Mas senhor, estamos com parcelas bem baixas! R$25 por mês, que
tal?
-
Não, eu agradeço, mas eu...
-
R$ 19, senhor, que tal? Fica melhor?
-
Fulana, eu já disse que...
-
R$ 12, senhor! Uma pechincha!
-
Fulana, muito obrigado, mas não quero, de verdade.
-
Tem certeza, senhor? Respeito a opção do senhor, mas o senhor
há de concordar comigo que a gente nunca sabe quando pode acontecer alguma
coisa indesejável, né? Então isso serve para deixar a família do senhor
tranquila, sabe?
-
Minha filha, na moral, posso te falar uma coisa? Sou negão,
certo? Fui criado nas ruas da Zona Norte do Rio de Janeiro, fui estudante de
escola pública, já entrei em mais briga do que lutador de UFC e presenciei mais
tiroteio que soldado de elite americano. Passei dos 25 e não morri de tiro.
Negão que passa dos 25 no Brasil vive pelo menos 300 anos, vira lenda e tudo. Você tem certeza que
quer me vender esse troço?
-
Desculpa, senhor. Senhor?
-
Sim?
-
E por R$ 9?
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