Meu mousse de limão. Tem coragem? Digo, servido?
Não sei se
contei pra vocês, mas no último ano me transformei em um grande cozinheiro.
Está certo, acho que há uma enorme probabilidade de eu ter ficado um pouco grande
(de largura) do que ter virado de fato um grande cozinheiro, mas as minhas aventuras
pela cozinha agora não se limitam a ir na geladeira e conferir se tem alguma
coisa para comer a cada cinco minutos. Agora, sei que não morro de fome se
precisar fazer minha comida.
E isso veio
a calhar com o período conturbado que eu vinha passando em minha vida: eu,
enquanto professor, enfrentava duas greves ao mesmo tempo (sou professor das
redes municipal e estadual do Rio de Janeiro), houve o término conturbadíssimo
de um namoro e, durante esse tempo, me vi sozinho em casa por mais horas do
que o de costume. Logo, precisava ocupar a cabeça com alguma atividade para não
sucumbir à tristeza. E foi aí que fui apresentado ao maravilhoso mundo da
“culinária de sobrevivência dos homens solteiros”, ou algo parecido. Sabendo
que ,ou eu aprendia a fazer algo na cozinha, ou eu morreria de fome (já que,
por estar em greve, não estava indo às escolas, que são os lugares em que
almoço e janto na maior parte da minha semana), me vi forçado a aprender o
básico do básico do básico.
Com o tempo,
o fato de ir à cozinha para fazer meus “grudes” se revelou maior do que o fato única
e exclusivamente saciar a fome, ela foi
fundamental para minha sobrevivência mental. Sentia que minha cabeça (e meu
espírito, minha auto estima, minha dignidade, enfim) estava em frangalhos. E
graças a minha aventura na cozinha, consegui, a partir daí, uma válvula de
escape, que me deu, de forma humilde mas fundamental, força e sabedoria para
seguir adiante, porque a hora de cozinhar não era “só” o ato de cozinhar, mas
sim uma hora em que eu construía algo (para ser digerido logo em seguida) e,
mais do que isso, era uma hora de reflexão, tal qual é tomar um banho demorado
ou lavar louças.
Depois do
meu primeiro arroz bem feito, foi só festa. E depois do meu primeiro mousse de
limão, então, quase decretei feriado nacional (fora que homem que cozinha ganha
pontos com a mulherada, mas essa só a patroa pode confirmar). E hoje posso
falar que ganhei um mais novo título: “o melhor cozinheiro daqui de casa”.
Levando em consideração que, mesmo sendo o único homem daqui de casa, eu ainda corro
risco de ficar em segundo lugar, ganhar esse prêmio é quase um Prêmio Nobel.

Um comentário:
Eu lembro tanto dessa torta de limão... rsrs
Comer o que você prepara é alimentar corpo e mente. :*
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